A reeleição de Lula levou o mercado a refazer preços, e as ações da Petrobras acompanham a queda da bolsa nesta segunda-feira (26). Às 11h50, as preferenciais (PETR4) recuavam 12% e as ordinárias (PETR3), 9,90%, com dólar em alta e pressão sobre os preços de diesel e gasolina.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brasil Wolf, afirmou que o mercado passa por uma reprecificação do mercado financeiro. Segundo ele, pesquisas e modelos de previsão apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e em mudança da agenda político-econômica e fiscal.
De acordo com Corleta, as projeções para inflação, taxa Selic e trajetória da dívida mudaram desde a eleição. Ele classifica o resultado como um evento que o mercado não previa, o chamado cisne negro.
Além disso, o sócio da Brasil Wolf cita questões de fluxo. Há mais investidores querendo vender ativos brasileiros do que comprar, o que acentua os movimentos de preço. O Ibovespa chegou a recuar 17% e teve as negociações paralisadas pela B3, segundo ele.
Estatal segue lógica diferente de exportadoras
Enquanto isso, Vale, Suzano e Gerdau sobem. Para Corleta, o dólar mais alto eleva de imediato a receita em reais dessas empresas, e parte dos investidores que deixam papéis ligados à economia doméstica compra exportadoras.
Já a Petrobras segue outra lógica. Por vender petróleo, a empresa se beneficia do câmbio, mas atua muito no mercado doméstico e está sob pressão por ser uma estatal com o governo como controlador. Por isso, afirma Corleta, a ação não reage como a de exportadoras como a Vale.
Petrobras tem pressão por reajuste de combustíveis
Segundo Corleta, o petróleo já operava em alta desde a semana passada, e a Petrobras praticava preços abaixo da paridade internacional. Com o choque no câmbio, fica difícil para a empresa manter a distribuição de diesel e gasolina aos preços atuais.
Daí vem a pressão sobre o momento do reajuste, de acordo com ele. O dólar alto também afeta os preços de combustíveis e alimentos, o que alimenta as projeções de inflação.
Dólar e fim de benefícios tributários pesam sobre inflação
Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, acrescenta a retirada dos benefícios tributários sobre gasolina e diesel nesta semana. Segundo ele, a medida tem efeito imediato sobre todos os produtos da economia, porque o diesel é o combustível do transporte brasileiro.
Além disso, de acordo com Lucena, o dólar mais alto encarece o barril e a produção fica mais cara com o fim da subvenção. Ele avalia que a combinação provoca um repique de inflação que vem para ficar e pode levar o Banco Central a voltar a pensar em aumento da taxa de juros, em um momento em que ela caía.
Sinal de disciplina fiscal pode acalmar mercado
Lucena afirma que a declaração de Lula de que não haverá ajuste fiscal, apenas aumento de gastos, leva investidores a retirar dinheiro do país. Na visão dele, a conta chega por juros mais altos ou por inflação.
Por sua vez, Corleta defende que o governo passe uma mensagem de responsabilidade fiscal, tarefa que, na avaliação dele, deve recair sobre Fernando Haddad, reconduzido ao Ministério da Fazenda. Ele descarta que intervenções de governo e Banco Central, como compra de ações ou venda de reservas, resolvam a situação, que define como crise de confiança.
Sobre a duração, Corleta projeta novos dias de queda e diz que uma noção do fundo talvez só apareça no fim da semana. Os dados de fluxo estrangeiro da B3 saem com dois dias de atraso, e a posição desse investidor só será conhecida na quarta-feira (28) ou na quinta-feira (29).
Fonte: Times Brasil










