As Filipinas buscam alternativas para reduzir a dependência de combustíveis importados. Nesse cenário, o governo trabalha para incluir a energia nuclear na matriz energética do país e ampliar as opções de geração nos próximos anos.
O plano faz parte de uma estratégia para reforçar a segurança energética e avançar nas metas de energia limpa. Durante uma conferência em Manila, autoridades apresentaram as próximas etapas para viabilizar o primeiro projeto nuclear filipino e reduzir os gastos com exportação.
Dependência de importações
Nas Filipinas, as importações representam 51,5% da oferta total de energia primária. Essa dependência deixa o país vulnerável a interrupções no abastecimento e às oscilações dos preços dos combustíveis. Em caso de interrupções no envio, como vem acontecendo com o petróleo no Oriente Médio, o país corre riscos de enfrentar uma crise energética.
De acordo com a secretária de Energia, Sharon Garin, as Filipinas importam 85% do carvão e 95% do diesel que consomem. Diante desse cenário, o governo enxerga a energia nuclear como uma alternativa para reduzir a dependência de importações e, consequentemente, aumentar a produção energética no país.
Dessa forma, a estratégia das Filipinas envolve um país com maior fluxo de geração de energia, usando o setor nuclear, e uma redução importante na dependência das exportações e riscos de cortes. Além disso, os investimentos no setor também pode abrir novas portas para a economia local.
Ampliação da capacidade nuclear
O governo filipino pretende atingir 1,2 gigawatt (GW) de capacidade nuclear instalada até 2032. A meta de longo prazo prevê elevar esse volume para 4,8 GW até 2050.
As autoridades apresentaram os planos durante a conferência World Nuclear Supply Chain, realizada em Manila. O país agora trabalha na avaliação de locais para construir as usinas, na preparação das regras para o setor, na estruturação do financiamento e na escolha das tecnologias.
Essas medidas buscam criar as condições necessárias para tirar o primeiro projeto nuclear do papel e ampliar a oferta de energia no país. Nos últimos meses, o setor vem crescendo entre diversos países que buscam alternativas para aumentar a produção energética e reduzir os gastos.
Crescimento da demanda
De acordo com a secretária de Energia, Sharon Garin, o aumento do consumo de eletricidade e a dependência de combustíveis importados reforçam a necessidade de diversificar as fontes de geração energética.
Segundo ela, a Agência Internacional de Energia (AIE) projeta um crescimento médio anual de 3,6% na demanda por eletricidade das Filipinas. A economia do país, por sua vez, cresce a uma taxa próxima de 6%.
Além disso, em meados deste ano, a demanda por eletricidade chegou a 20,1 GW, enquanto a capacidade instalada de geração alcançou aproximadamente 32,5 GW. Dessa forma, além de reduzir os gastos e dependência das exportações, o projeto das Filipinas também envolve uma maior segurança energética em um cenário de crescimento do setor.
Fonte: Times Brasil










