O Peru quer retomar as negociações com o Chile para conectar as redes elétricas dos dois países. A proposta prevê uma linha de transmissão com capacidade de 1.000 megawatts (MW) e investimento estimado em US$ 550 milhões. O objetivo é ampliar o intercâmbio de eletricidade e aproveitar o excedente de geração solar e eólica chilena.
O ministro de Energia e Minas do Peru, Guillermo Shinno, apresentou a intenção durante a 21ª reunião do Conselho Empresarial Chile-Peru, realizada em Lima. Segundo ele, a integração elétrica faz parte do Compromisso 21 do Plano de Ação de Santiago.
Shinno também pretende se reunir com a ministra de Energia do Chile, Ximena Rincón, para avançar nas discussões. Caso o encontro não ocorra antes de novembro, os países poderão tratar do assunto na reunião binacional prevista para 29 de novembro.
Como funcionaria o projeto de US$ 550 milhões?
Uma das alternativas em estudo prevê uma linha de transmissão de 500 quilovolts (kV), ligando Montalvo, no sul do Peru, a Kimal, no norte do Chile. A estrutura teria capacidade para transmitir até 1.000 MW.
Além disso, um estudo encomendado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2025, estimou o investimento em US$ 550 milhões. Segundo a análise, as trocas de eletricidade nos dois sentidos poderiam movimentar entre 3.600 gigawatts-hora (GWh) e 5.700 GWh por ano, com benefícios econômicos combinados de, em média, US$ 170 milhões anuais.
A proposta permitiria que cada país fornecesse energia ao outro conforme a disponibilidade de geração e as necessidades de consumo.
Excedente solar do Chile pode abastecer o Peru
O Chile possui capacidade expressiva de geração solar e eólica, especialmente no norte. Entretanto, limitações na transmissão dificultam o transporte de parte dessa eletricidade até os principais centros consumidores.
A conexão com o Peru abriria uma alternativa para aproveitar o excedente de produção e reduzir o desperdício de energia renovável. Além disso, entre janeiro e julho de 2026, os cortes na geração solar e eólica chilena chegaram a 2.680 GWh.
A exportação de parte dessa eletricidade poderia ajudar a diminuir os cortes, embora o resultado dependa da capacidade de transmissão e das condições operacionais das duas redes. O Peru, por sua vez, conta com usinas hidrelétricas e termelétricas a gás natural, que poderiam complementar o abastecimento durante períodos de menor geração renovável no Chile.
Peru também amplia a geração solar
O Peru também registra crescimento na própria produção fotovoltaica. Dados do Ministério de Energia e Minas mostram que a geração solar alcançou 1.442 GWh no primeiro semestre de 2026, alta de 87% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Grande parte da capacidade solar instalada no país está concentrada no sul, especialmente nas regiões de Arequipa e Moquegua. Dessa forma, a integração elétrica poderia ampliar as alternativas de abastecimento e melhorar o aproveitamento dos recursos energéticos dos dois países.
Outra linha de transmissão prevê US$ 30 milhões
Além do projeto de 1.000 MW, a empresa chilena EnorChile Transmission apresentou, em 13 de outubro, um estudo de impacto ambiental para a linha Los Héroes-Parinacota.
A iniciativa prevê investimento de US$ 30 milhões e cerca de 22 quilômetros de linha em território chileno, conectando a subestação de Parinacota, em Arica, à fronteira com o Peru. Além disso, a infraestrutura seguiria até a subestação de Los Tacéro, no território peruano.
O projeto teria capacidade máxima de 250 megavolt-ampères (MVA) e incluiria uma subestação conversora para compatibilizar as diferentes frequências das redes elétricas nacionais.
Projeto ainda depende de acordos
Apesar do interesse na integração energética, a proposta Montalvo-Kimal ainda não recebeu decisão final de investimento nem tem cronograma de construção definido.
O avanço dependerá de acordos técnicos, regulatórios e comerciais entre os dois países. Se sair do papel, a conexão poderá ajudar o Chile a aproveitar melhor o excedente de energia renovável e ampliar as opções de abastecimento do Peru.
Fonte: Times Brasil










