Ambev Retoma Liderança em Cervejas Premium no Brasil Superando Heineken

Após uma década, a Ambev voltou à liderança do segmento de cervejas premium e super premium, alcançando quase 50% de participação de mercado — superando a rival Heineken. O resultado, divulgado no balanço do terceiro trimestre de 2025, reflete uma combinação de estratégia de portfólio, controle de custos e foco em inovação.

Segundo Guilherme Fleury, CFO da Ambev, o segredo está na “ambidestria corporativa”:

“Precisamos ser uma companhia capaz de fazer mais de uma coisa bem. É o jogo do ‘e’: eu faço isso e também faço aquilo.”

Crescimento e rentabilidade

As vendas de cervejas premium subiram 15% no trimestre, impulsionadas por Stella Artois, Corona e Original. Esse foi o 18º trimestre consecutivo de alta na categoria.

O movimento também reforça o avanço do portfólio “Balanced Choices” — bebidas com menos calorias, sem glúten ou sem álcool — que cresceu 65% entre julho e setembro, liderado por Stella Pure Gold e Michelob Ultra.

“A combinação entre preço, portfólio e disciplina de custos trouxe um crescimento de Ebitda acima das expectativas”, explicou Fleury.

Flying Fish: a nova aposta da marca

A Ambev começa agora a introduzir no Brasil uma nova categoria de cervejas saborizadas, com o lançamento da marca Flying Fish — bebida de perfil leve e refrescante, com toque cítrico.

A proposta é atrair novos consumidores, replicando o sucesso do produto na África do Sul, onde é comercializado há mais de uma década pela AB InBev.

Gestão de portfólio e eficiência operacional

Fleury destacou que o avanço da Ambev resulta de processos integrados, não de ações pontuais. A empresa reduziu SKUs, simplificou formatos e otimizou a cadeia produtiva.

O foco em gestão de receita (revenue management) também contribuiu: ao antecipar reajustes de preços, a companhia ganhou competitividade frente à Heineken, que aplicou aumentos mais tarde.

“Ganhamos participação quando houve acomodação dos preços no setor, porque nossa execução foi melhor”, afirma o CFO.

Desafios e próximos passos

Apesar do cenário positivo nas categorias de maior valor agregado, o volume total de cervejas da companhia no Brasil caiu 7,7% no trimestre, reflexo do inverno atípico e da pressão sobre a renda nas regiões Norte e Nordeste.

Mesmo assim, a Ambev surpreendeu o mercado: o Ebitda chegou a R$ 7,05 bilhões, acima das projeções de analistas, e o anúncio de um programa de recompra de R$ 2,5 bilhões impulsionou as ações, que subiram 4,6% no dia da divulgação.

“A liderança da Ambev é sustentada por inovação, foco em rentabilidade e adaptação ao consumidor”, conclui Fleury.

Fonte: bloomberglinea

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