A Votorantim Cimentos e a Auren Energia firmaram um contrato de compra de energia de longo prazo (Power Purchase Agreement – PPA) como parte do plano de investimentos de RS 5 bilhões previsto para o país entre 2024 e 2028, estratégia que combina expansão industrial e transição energética. A eletricidade será fornecida pelo Complexo Eólico Cajuína I, localizado em Lajes, no Rio Grande do Norte.
Pelo acordo, a companhia do setor de materiais de construção, além de adquirir a energia renovável, passará a deter participação no empreendimento de geração, que é operado integralmente por mulheres. O fornecimento está previsto para começar em março, permitindo que mais de 90% do consumo elétrico da empresa no Brasil tenha origem em fontes renováveis.
As duas empresas têm ligação societária com o Grupo Votorantim, que controla integralmente a cimenteira e possui participação relevante na geradora, fator que contribuiu para a estruturação do negócio.
Contratação no mercado livre garante previsibilidade energética
O contrato foi estruturado no Ambiente de Contratação Livre (ACL), modelo que permite a grandes consumidores negociar diretamente com produtores de energia. Esse tipo de instrumento é utilizado para reduzir exposição a oscilações tarifárias e dar previsibilidade de custos, especialmente em segmentos industriais de alta intensidade energética.
A entrada como sócia do ativo caracteriza o modelo de autoprodução por equiparação, no qual o consumidor passa a compartilhar a geração da própria energia. A estratégia assegura lastro físico renovável às operações e contribui para metas corporativas de redução de emissões indiretas.
Expansão industrial inclui novas fábricas e ampliação de unidades
No campo produtivo, a empresa prevê instalar uma nova fábrica de argamassas em Edealina, com capacidade de 300 mil toneladas por ano e início de operação estimado para 2027.
Na mesma localidade, está em andamento a ampliação da planta de cimento, com a construção de uma nova linha de moagem que dobrará a capacidade instalada, atingindo cerca de 2 milhões de toneladas anuais. O novo moinho chegou ao país em janeiro, e a previsão é iniciar a operação em abril de 2026.
Modernizações e reativações ampliam produção em várias regiões
O programa também contempla a modernização do forno da unidade de Xambioá e a religação de moinhos em Esteio e Laranjeiras.
Somadas à ampliação já concluída em Salto de Pirapora, à retomada de operações na região Sul e a outros projetos em andamento, as iniciativas devem acrescentar cerca de 3,7 milhões de toneladas por ano à capacidade produtiva total da companhia.
Unidade de Nobres terá nova moagem e reforço na produção de insumos
A fábrica de Nobres receberá uma nova moagem de cimento, elevando sua capacidade para 1,2 milhão de toneladas anuais. No mesmo complexo, a produção de calcário agrícola será ampliada para 900 mil toneladas por ano.
Segundo a empresa, aproximadamente RS 2,4 bilhões já estavam executados ou em andamento até o terceiro trimestre de 2025, com obras e contratos distribuídos por diversas regiões do país.
Energia renovável passa a integrar a estratégia industrial
A combinação entre expansão fabril e contratação estruturada de energia reflete um movimento mais amplo da indústria pesada brasileira, que busca alinhar crescimento de produção à descarbonização e à segurança energética. Ao atrelar investimentos produtivos à geração renovável dedicada, companhias intensivas em eletricidade procuram reduzir custos de longo prazo, mitigar riscos do setor elétrico e fortalecer compromissos ambientais.
Nesse contexto, o acordo conecta diretamente a agenda energética ao ciclo de crescimento da operação no Brasil, transformando a gestão de energia em elemento central do planejamento industrial.
Fonte: Times Brasil