As ações da sueca Volvo Cars despencaram mais de 22% na manhã de quinta-feira (5), colocando a empresa no caminho para o pior dia de negociação de sua história.
A montadora, que pertence ao grupo chinês Geely Holding, registrou uma queda expressiva no lucro operacional do quarto trimestre, citando o impacto das tarifas dos Estados Unidos, efeitos cambiais negativos e a fraqueza da demanda.
A Volvo Cars informou que o lucro operacional do quarto trimestre, excluídos itens que afetam a comparabilidade, ficou em 1,8 bilhão de coroas suecas (US$ 200,46 milhões), o que representa uma queda de 68% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Temos um mercado muito desafiador, especialmente na China, com uma concorrência muito dura. Todos os nossos colegas europeus enfrentam o mesmo problema”, disse o CEO da Volvo Cars, Hakan Samuelsson, à CNBC, no programa Europe Early Edition, nesta quinta-feira.
Ele acrescentou que o fim dos incentivos para veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos e na China também tem contribuído para “um ambiente externo muito desafiador”.
“Mas, internamente, fizemos um trabalho muito bom na redução de custos e na garantia de um fluxo de caixa positivo, então eu destacaria esses pontos como as conquistas mais importantes que alcançamos ao longo do ano”, afirmou.
As ações da Volvo Cars eram negociadas em queda de 22,5%. Uma baixa superior a 11,2% em uma única sessão já representaria o pior dia de negociação da história da empresa.
Analistas do UBS disseram que, com base no resultado abaixo do esperado da Volvo Cars, eles preveem revisões negativas de 10% a 15% nas estimativas consensuais de lucro antes de juros e impostos (EBIT) para o ano cheio de 2026, “possivelmente mais, dado que a margem subjacente de EBIT ficou próxima de 0%” nos três últimos meses de 2025.
Um ano difícil para a Volvo
Estados Unidos e União Europeia chegaram a um acordo-quadro comercial em julho do ano passado, no qual o governo do presidente Donald Trump impôs uma tarifa geral de 15% sobre a maioria dos produtos da UE — uma redução significativa em relação à ameaça anterior de Trump de aplicar 30% e praticamente a metade da tarifa sobre o setor automotivo europeu, que era de 27,5%.
Entidades do setor, que inicialmente receberam o acordo comercial de forma cautelosa, expressaram profunda preocupação com os custos associados às novas tarifas.
Há muito tempo, a Volvo Cars é considerada uma das montadoras europeias mais expostas às tarifas dos Estados Unidos.
Olhando para o futuro, a Volvo Cars informou que as entregas de seu novo SUV médio totalmente elétrico, o EX60, ganharão ritmo ao longo da segunda metade de 2026.
No entanto, a empresa alertou que o próximo ano provavelmente será mais um período desafiador, com a continuidade da pressão sobre preços, os efeitos das tarifas, a incerteza regulatória e um sentimento mais fraco dos consumidores pesando sobre o setor.
Fonte: Times Brasil