A Volkswagen anunciou que pretende reduzir drasticamente sua linha de modelos e encolher sua capacidade de produção, mas, após intensas negociações com acionistas e sindicatos, evitou confirmar cortes de empregos.
A maior montadora da Europa informou nesta quinta-feira que sua gama de veículos será reduzida gradualmente em até metade nos próximos anos, com foco nos segmentos mais atrativos do mercado.
A capacidade de produção também será ajustada para nove milhões de veículos por ano, bem abaixo da meta de 12 milhões estabelecida antes da pandemia de coronavírus.
“Com nosso plano de futuro, estamos entrando na próxima fase da transformação com nossos próprios meios”, declarou o CEO Oliver Blume.
“Estamos tornando o Grupo Volkswagen mais ágil, resiliente e competitivo”, acrescentou.
O anúncio veio após uma reunião tensa com o conselho de supervisão da companhia e em meio a rumores de fechamento de quatro fábricas na Alemanha e até 100 mil demissões.
Esse plano de cortes em massa, que seria a maior reestruturação nos quase 90 anos da empresa, enfrenta forte oposição de parlamentares alemães e dos poderosos sindicatos locais.
Pressões globais
A Volkswagen já havia sinalizado cortes significativos e lançado uma ofensiva de novos produtos para enfrentar desafios como tarifas de importação dos EUA e a crescente concorrência das marcas chinesas.
As demissões agora especuladas dobrariam o número de 50 mil cortes anunciados anteriormente e incluiriam o fechamento das plantas de Hanover, Zwickau, Emden e da unidade da Audi em Neckarsulm — informação revelada pela revista Manager Magazin no mês passado.
Analistas da Jefferies afirmaram que o plano de resgate da Volkswagen trouxe “poucas novidades” e “nenhum sinal de avanço” em relação a decisões sobre fechamento de fábricas, investimentos de cinco anos ou cortes adicionais de pessoal.
Tempestade perfeita
O Conselho Geral de Trabalhadores da Volkswagen e o sindicato IG Metall prometeram resistir às demissões e ao fechamento das fábricas. Um protesto organizado pelo IG Metall ocorreu nesta quinta-feira em frente à planta de Zwickau.
As ações da Volkswagen subiram 0,6% na manhã de sexta-feira, mas acumulam queda de mais de 30% em 2026, atingindo níveis não vistos desde 2010.
“Se você olha para o preço das ações, ele conta uma história”, disse Henning Gebhardt, gestor da HollyHedge Consult, à CNBC.
“Volkswagen enfrenta uma tempestade perfeita: concorrência feroz da China, tarifas, rivais com ofertas mais atraentes e, de forma geral, uma indústria automotiva sob forte pressão.”
Fonte: Times Brasil