A Vast Space ficou de fora da primeira rodada de contratos da Nasa para a próxima geração da Estação Espacial Internacional (ISS), mas a empresa afirma que pretende competir com força na segunda fase da disputa.
O CEO Max Haot disse à CNBC que a companhia aposta em uma “estratégia de salto tecnológico” e pretende construir e lançar uma estação espacial funcional para demonstrar suas capacidades.
“Se conseguirmos fazer tudo isso, ou estivermos no caminho para fazê-lo, será impossível para a Nasa ignorar o hardware que temos”, afirmou Haot.
A empresa, que se prepara para lançar no próximo ano sua estação espacial comercial Haven-1, concluiu uma rodada de financiamento de US$ 500 milhões (R$ 2,63 bilhões) liderada pela Balerion Space Ventures, com participação do fundo soberano do Catar. No mês passado, a companhia também foi escolhida para participar da sexta missão privada de astronautas à ISS da Nasa.
O investimento chega em um momento decisivo para o setor espacial, impulsionado pela possibilidade de um mega IPO da SpaceX ainda este ano. Nesta semana, a startup Sierra Space também levantou US$ 550 milhões (R$ 2,89 bilhões), enquanto SpaceX e Rocket Lab realizaram novos lançamentos.
Os investidores vêm direcionando cada vez mais recursos para tecnologia espacial, em meio à meta do presidente Donald Trump de levar os Estados Unidos de volta à Lua pela primeira vez em 50 anos. Paralelamente, empresas privadas disputam o desenvolvimento de infraestruturas capazes de substituir a ISS, cuja aposentadoria está prevista para 2030.
O Congresso americano também discute medidas para permitir que a Nasa continue operando a ISS até 2032.
Após meses de incerteza na liderança, a Nasa confirmou Jared Isaacman como administrador um ano após sua indicação por Donald Trump. Isaacman é conhecido por ser astronauta privado e aliado de Elon Musk.
Sob sua direção, a agência espacial iniciou uma ampla reformulação do programa lunar Artemis, que enfrenta atrasos em lançamentos e preocupações de segurança enquanto os Estados Unidos buscam estabelecer presença duradoura na superfície da Lua.
“Não esquecemos os livros de história, mas a forma atual de operar – com missões a cada três anos e meio e saltos gigantes – não vai funcionar”, afirmou Isaacman durante o American Dynamism Summit, organizado pela a16z.
Enquanto isso, Max Haot pretende transformar a Vast na principal fabricante de habitats humanos no espaço, apostando em parcerias com Europa e Japão e em um modelo de operações de baixo custo para alcançar lucratividade.
“Estaremos prontos quando chegar o chamado para substituir a ISS”, disse o executivo. “Acredito que teremos sucesso – e talvez haja espaço para muitas outras estações no futuro.”
Fonte: Times Brasil