Varejo investe bilhões em I.A para transformar negócios

O varejo está acelerando os investimentos em inteligência artificial (I.A) em 2026, com grandes empresas destinando bilhões de dólares para tecnologia, automação e modernização de processos.

O movimento ocorre principalmente nos Estados Unidos e busca aumentar a eficiência das operações, melhorar a cadeia de suprimentos e transformar a forma como as companhias tomam decisões.

Apesar do avanço, especialistas alertam que a tecnologia, sozinha, não garante resultados e que a participação humana continua sendo essencial, de acordo com o Wome’s Wear Daily.

Bilhões destinados à tecnologia

O avanço da inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta para o futuro e passou a fazer parte dos planos de investimento de grandes empresas do varejo e da moda.

Um levantamento com 17 companhias americanas do setor mostra que os investimentos em tecnologia da informação aparecem entre as principais áreas de despesas. Também ganham espaço projetos ligados ao comércio omnichannel e à modernização das cadeias de suprimentos.

O Walmart está entre os maiores investidores. A empresa prevê desembolsar entre US$ 25 bilhões (em média R$ 129,5 bilhões) e US$ 27 bilhões (R$ 139,8 bilhões) em despesas de capital em 2026. No ano passado, foram US$ 25,6 bilhões (R$ 132,6 bilhões).

Entre as outras 16 empresas analisadas, os gastos previstos devem crescer 25% e chegar a US$ 13,9 bilhões (R$ 71,93 bilhões), considerando o ponto médio das projeções.

A movimentação faz parte de uma corrida mais ampla. Segundo estimativa citada no levantamento, as principais empresas de tecnologia podem investir cerca de US$ 5,3 trilhões (R$ 27,45 trilhões) em inteligência artificial e data centers até 2030.

Tecnologia chega aos bastidores

No varejo, a inteligência artificial não está sendo usada apenas para criar experiências personalizadas para os consumidores.

Uma parte importante da transformação acontece nos bastidores. Empresas estão aplicando a tecnologia em áreas como planejamento, compras, logística, atendimento, estoque e cadeia de suprimentos.

A Dick’s Sporting Goods, por exemplo, prevê investir US$ 1,5 bilhão (R$ 7,77 bilhões) em despesas de capital em 2026. O valor representa cerca de 8,5% da receita da companhia e inclui projetos relacionados à tecnologia e à cadeia de suprimentos.

A estratégia mostra uma mudança de foco. Durante anos, boa parte da transformação digital do varejo esteve concentrada no comércio eletrônico, nas redes sociais e na relação direta com o consumidor. Agora, empresas procuram modernizar processos internos que permaneceram praticamente inalterados por muitos anos.

Empresas ainda buscam o retorno

O aumento dos investimentos não significa que todas as companhias já tenham encontrado a melhor maneira de utilizar a inteligência artificial. Uma das dificuldades está em transformar ganhos individuais de produtividade em resultados para toda a organização.

A tecnologia pode acelerar uma determinada tarefa, mas isso não significa que toda a operação ficará mais rápida. Um departamento pode produzir mais enquanto outra área continua trabalhando no mesmo ritmo, criando novos gargalos.

Esse problema aparece especialmente em empresas grandes, nas quais decisões dependem de diferentes departamentos e sistemas. Por isso, especialistas defendem que a adoção da inteligência artificial precisa ser acompanhada por mudanças na estrutura de trabalho, na gestão e na forma como os resultados são medidos.

Pessoas continuam no centro

Mesmo com a expansão dos sistemas automatizados, os profissionais continuam tendo papel importante. A inteligência artificial pode ajudar a analisar informações, automatizar tarefas e apoiar decisões. A definição de objetivos, porém, ainda depende da capacidade das equipes de entender os problemas e escolher onde a tecnologia realmente pode gerar valor.

Esse ponto é particularmente relevante no varejo. Saber qual produto vender, em qual quantidade e para qual público exige mais do que uma ferramenta capaz de processar grandes volumes de dados. A tecnologia precisa estar ligada a uma estratégia de negócios.

Levi’s amplia uso de agentes de I.A

A Levi Strauss está entre as empresas que avançam na adoção da inteligência artificial. A companhia vem utilizando agentes de I.A para automatizar processos em diferentes áreas.

Segundo a direção da empresa, cerca de 1.000 agentes estão sendo mobilizados em operações relacionadas à cadeia de suprimentos, planejamento e pedidos de clientes do atacado.

A estratégia faz parte de uma transformação mais ampla da empresa, que também envolveu a modernização de seus sistemas de planejamento e a organização de sua base de dados.

Com essa estrutura, a companhia busca usar a inteligência artificial para aumentar a capacidade das equipes sem ampliar os custos na mesma proporção.

A velocidade de evolução da inteligência artificial também cria um problema para os executivos. Projetos tradicionais de transformação costumam ser planejados em etapas que podem durar meses ou anos.

No caso da I.A, as ferramentas podem mudar antes mesmo de uma etapa do projeto ser concluída. Isso obriga as empresas a trabalhar com estruturas mais flexíveis.

Governança, treinamento dos funcionários, infraestrutura tecnológica e definição de resultados precisam avançar juntos. Esperar que uma etapa esteja completamente concluída para começar a próxima pode fazer com que o planejamento fique ultrapassado.

Varejo entra em uma nova fase

A corrida pela inteligência artificial representa uma mudança importante na estratégia das empresas de varejo. O objetivo não é apenas utilizar uma nova tecnologia, mas reorganizar operações que envolvem milhares de funcionários, fornecedores, produtos e consumidores.

Para as grandes companhias, os investimentos bilionários mostram que a I.A já ocupa espaço permanente nos planos de negócios. O desafio agora é transformar o dinheiro aplicado em ganhos concretos de produtividade, eficiência e crescimento.

A vantagem não estará necessariamente com quem tiver mais ferramentas. Empresas capazes de combinar tecnologia, dados e conhecimento humano terão de encontrar formas mais rápidas de adaptar suas operações de verejo enquanto a própria inteligência artificial continua mudando.

Fonte: Times Brasil

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