A Pfizer e a Valneva anunciaram nesta segunda-feira (23) resultados iniciais positivos do ensaio clínico de fase 3, que avalia um candidato a vacina contra a doença de Lyme.
Segundo as empresas, o imunizante experimental — identificado como PF-07307405 (LB6V) — demonstrou eficácia superior a 70% na prevenção de casos confirmados da doença após a aplicação da quarta dose. Os dados indicam uma eficácia de 73,2% no 28º dia após a última dose e de 74,8% já no primeiro dia após essa aplicação, em comparação com o grupo placebo.
Apesar dos resultados considerados promissores, o estudo registrou menos casos da doença do que o esperado, o que fez com que o principal critério estatístico inicial não fosse atingido na primeira análise. Ainda assim, as companhias destacaram que os resultados são clinicamente relevantes e afirmaram que pretendem avançar com a submissão do imunizante às autoridades regulatórias.
A doença de carrapatos
Atualmente, não há vacinas disponíveis para humanos contra a doença de Lyme, uma infecção bacteriana transmitida por carrapatos e considerada a doença vetorial mais comum no hemisfério norte. De acordo com estimativas, cerca de 476 mil pessoas são diagnosticadas anualmente nos Estados Unidos, enquanto a Europa registra aproximadamente 132 mil casos por ano.
O candidato a vacina utiliza uma abordagem baseada na proteína OspA da bactéria Borrelia burgdorferi, responsável pela doença. O mecanismo induz a produção de anticorpos que atuam diretamente no carrapato, impedindo a transmissão da bactéria ao ser humano.
Potencial da vacina
O estudo VALOR foi conduzido em centros clínicos nos Estados Unidos, Canadá e Europa, com participantes a partir de 5 anos de idade. O protocolo incluiu a administração de quatro doses ao longo de cerca de um ano, com reforço antes da temporada seguinte da doença.
Em comunicado, executivos das empresas destacaram o potencial do imunizante diante da ausência de alternativas preventivas. A Pfizer afirmou que os resultados reforçam a confiança no desenvolvimento da vacina, enquanto a Valneva ressaltou que os dados aproximam o projeto de uma possível disponibilização ao público.
As duas companhias mantêm uma parceria desde 2020 para o desenvolvimento, produção e eventual comercialização do imunizante, caso ele seja aprovado pelas autoridades regulatórias.
Fonte: Times Brasil