Trump recua em plano de reduzir tarifas sobre carne importada; JBS e Minerva poderiam ser beneficiadas

O governo Trump adiou indefinidamente um plano para suspender as tarifas sobre importações de carne bovina nos Estados Unidos. A medida, que seria assinada na segunda-feira (11) por meio de duas ordens executivas, foi paralisada após pressão de pecuaristas americanos e de parlamentares do próprio partido do presidente.

Caso a proposta volte a avançar, exportadores brasileiros de carne bovina podem ganhar competitividade no mercado americano, o que tende a favorecer empresas com maior exposição a exportações, como a Minerva. No caso da JBS, o impacto pode ser mais equilibrado, dado o peso de suas operações nos Estados Unidos.

Um funcionário da Casa Branca confirmou ao The Wall Street Journal o adiamento sem informar nova data para as ordens executivas.

Segundo informações do jornal, a estratégia era suspender a chamada cota tarifária anual, mecanismo que aplica alíquotas mais altas quando as importações superam determinado volume, para todos os países exportadores de carne bovina, abrindo espaço para mais produto entrando no mercado americano com impostos menores.

A lógica era simples: mais oferta, menos pressão nos preços. O problema é que a solução irritou justamente quem Trump não quer como inimigo.

O senador republicano Steve Daines, de Montana, admitiu que haveria “algumas preocupações” entre os pecuaristas. Sua colega de partido Cynthia Lummis, do Wyoming, foi mais direta: se as mudanças afetarem o preço pelo qual os pecuaristas vendem seus animais, “perderemos muito dinheiro”.

A carne bovina é hoje uma das principais fontes de inflação persistente para o consumidor americano. O preço da carne moída subiu 40% em cinco anos. Enquanto ovos, leite e outros itens básicos apresentaram algum alívio, a carne seguiu em alta.

Os rebanhos americanos estão no menor nível em 75 anos, segundo o Departamento de Agricultura, depois que os pecuaristas reduziram o número de animais durante a pandemia e com a seca que destruiu pastagens.

Com demanda consumidora forte e oferta interna encolhida, a saída encontrada pelo governo foi olhar para fora. Cerca de 20% das 29 bilhões de libras de carne consumidas nos EUA já são importadas. Para 2026, a projeção é de quase 6 bilhões de libras importadas, um recorde. Em fevereiro, o governo já havia autorizado um aumento de importações da Argentina como tentativa de conter os preços.

O Brasil aparece como protagonista nesse cenário. O país ultrapassou os EUA como maior produtor mundial de carne bovina, com 20% da oferta global, e no ano passado exportou US$ 1,75 bilhão em carne para os americanos, também um recorde.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne pediu ao presidente Lula que pressione o governo Trump a revisar o sistema de cotas. O tema esteve na pauta do encontro entre Lula e Trump na Casa Branca na semana passada.

Fonte: Times Brasil

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