A demanda global por transporte aéreo de passageiros avançou 6,1% em fevereiro na comparação anual, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo, refletindo um cenário de expansão consistente no setor, apesar das incertezas geopolíticas.
Medido em passageiros-quilômetro pagos (RPK), o crescimento foi acompanhado por uma alta de 5,6% na capacidade total (ASK), enquanto a taxa de ocupação atingiu 81,4%, com avanço de 0,3 ponto porcentual — o maior nível já registrado para meses de fevereiro.
Para o diretor-geral da entidade, Willie Walsh, o resultado indica força estrutural do setor. “Com uma expansão de 6,1% no RPK, fevereiro foi um mês forte, demonstrando que os fundamentos para o crescimento da demanda estavam presentes para um ano positivo”, afirmou. Ele ponderou, porém, que “é impossível quantificar” os impactos da guerra no Oriente Médio sobre as perspectivas das companhias.
No recorte internacional, a demanda cresceu 5,9%, com a capacidade avançando 5,3% e a taxa de ocupação chegando a 80,5% (+0,5 p.p.). Já o mercado doméstico apresentou alta de 6,3% na demanda, com expansão de 6,2% na capacidade e ocupação de 82,8% (+0,1 p.p.).
Walsh destacou ainda a pressão de custos. Segundo ele, os preços do combustível subiram de forma acentuada, e, diante de capacidade limitada e margens reduzidas, as passagens aéreas já apresentam alta, com ajustes também na alocação de capacidade pelas empresas.
O desempenho doméstico foi impulsionado por mercados relevantes, com o RPK avançando 6,3%, refletindo a forte demanda no Brasil e na China, enquanto a taxa de ocupação se manteve estável em 82,8%, em linha com a evolução da oferta.
No tráfego internacional, o crescimento de 5,9% no RPK foi favorecido pelo aumento de viagens relacionadas ao Ano Novo Lunar na Ásia, além de um desempenho destacado nas rotas entre Europa e Ásia, com avanço de 14%.
Entre as regiões, as companhias da Ásia-Pacífico lideraram a expansão, com alta de 8,6% na demanda e 7,3% na capacidade, além de taxa de ocupação de 86,6% (+1,0 p.p.). As empresas europeias registraram crescimento de 5,0% na demanda, com capacidade em alta de 4,5% e ocupação de 75,6% (+0,4 p.p.).
Na América do Norte, a demanda também subiu 5,0%, enquanto a capacidade avançou 2,4%, elevando a taxa de ocupação para 80,9% (+2,0 p.p.). Já no Oriente Médio, o crescimento foi mais moderado, com alta de 0,9% na demanda, capacidade em +3,8% e ocupação de 79,6% (-2,2 p.p.).
A América Latina apresentou o maior ritmo de expansão, com salto de 13,5% na demanda e 9,3% na capacidade, levando a taxa de ocupação a 85,0% (+3,1 p.p.). Por fim, as companhias africanas registraram alta de 4,8% na demanda, com capacidade em +6,6% e ocupação de 74,5% (-1,3 p.p.).
Fonte: Times Brasil