As lojas da Starbucks na Coreia do Sul vão fechar por meio período na próxima semana para que os funcionários participem de uma aula de história, após uma campanha promocional desastrosa que remeteu à repressão militar de 1980, informou a gigante do café nesta segunda-feira.
O presidente do Grupo Shinsegae, que opera a Starbucks no país por meio de um acordo de licenciamento, e outros executivos de alto escalão participarão de um treinamento semelhante dois dias depois.
A Starbucks Coreia, que possui mais de 2 mil lojas em todo o país, se viu no centro de uma onda de críticas no mês passado ao lançar uma promoção chamada “Tank Day” (“Dia do Tanque”), que fez referência à repressão militar que marcou a revolta pró-democracia de 1980.
A promoção dos copos reutilizáveis ocorreu em 18 de maio, mesma data do 46º aniversário da Revolta de Gwangju, na qual 165 civis foram mortos, segundo o balanço oficial, embora muitos acreditem que o número real de vítimas tenha sido muito maior.
A Coreia do Sul é o terceiro maior mercado da Starbucks, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
O Grupo Shinsegae demitiu o diretor-presidente da operação sul-coreana no mesmo dia em que a notícia do escândalo veio à tona e pediu desculpas pelo ocorrido.
Nesta segunda-feira, a empresa informou que seu presidente, Chung Yong-jin, “participará de um treinamento ao lado dos CEOs de cada afiliada” na quarta-feira da próxima semana.
Dois dias antes, todos os funcionários das lojas da Starbucks Coreia “receberão treinamento sobre consciência histórica e sensibilidade social por meio da exibição de vídeos”.
As lojas em todo o país fecharão às 15h (horário local) por três horas de treinamento e não voltarão a abrir naquele dia. Será o primeiro fechamento simultâneo de todas as unidades desde que a Starbucks iniciou suas operações na Coreia do Sul, em 1999.
A única exceção será um pequeno número de lojas localizadas em aeroportos, informou um representante do Grupo Shinsegae à AFP.
O grupo afirmou ter identificado uma série de falhas de negligência que antecederam a campanha promocional, incluindo a aprovação do material por responsáveis que não verificaram o arquivo do design.
Também não houve revisão jurídica da campanha.
Koo Jeong-woo, professor da Universidade Sungkyunkwan e responsável por conduzir parte do treinamento, afirmou à AFP que pretende explicar, entre outros temas, o “significado da sensibilidade social”.
A controvérsia, que provocou protestos em Seul e Gwangju, levou a uma “queda acentuada nas vendas” nos primeiros dias após o escândalo, segundo a operadora.
O presidente Lee Jae Myung manifestou indignação diante do episódio e classificou o caso no X como uma “conduta desumana e vergonhosa”, em meio à repercussão negativa.
Fonte: Times Brasil