A Shein revelou que uma investigação conduzida pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) pode gerar consequências financeiras relevantes para a companhia. A informação apareceu nos documentos apresentados pela varejista antes de sua aguardada oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Hong Kong.
Segundo a empresa, ainda não é possível prever quando o processo será concluído nem qual será seu desfecho. No entanto, a companhia reconhece que poderá ser obrigada a realizar pagamentos elevados caso haja um acordo.
Proteção ao consumidor
Embora a Shein não tenha detalhado inicialmente o foco da apuração, um porta-voz da FTC confirmou que o processo está relacionado a possíveis violações das leis americanas de proteção ao consumidor.
A agência fiscaliza práticas como publicidade enganosa, transparência nas ofertas, proteção de dados pessoais e cumprimento das regras aplicadas aos marketplaces digitais. A investigação também pode envolver estratégias de marketing utilizadas pela empresa em sua plataforma.
Em comunicado divulgado no processo de abertura de capital, a companhia afirmou que colabora com as autoridades americanas durante toda a apuração. Vale destacar que essa investigação do FTC vem se tornando comum entre as autoridades americanas.
O que é a FTC?
A Federal Trade Commission é a principal agência de defesa do consumidor dos Estados Unidos. O órgão atua no combate a práticas comerciais consideradas enganosas ou desleais, além de também fiscalizar questões relacionadas à concorrência no mercado.
Entre suas atribuições estão investigações sobre publicidade, privacidade de dados, marketplaces digitais, políticas de reembolso, promoções, cobranças indevidas e estratégias que possam induzir consumidores ao erro.
Nos últimos anos, a FTC ampliou a fiscalização sobre plataformas digitais, principalmente em casos envolvendo comércio eletrônico e uso de informações pessoais.
Shein já enfrentou outras investigações
A investigação americana se soma a outros desafios regulatórios enfrentados pela empresa de roupa em diferentes mercados. Na França, a companhia recebeu sanções relacionadas ao tratamento de dados pessoais e à divulgação de descontos considerados enganosos.
Já nos Estados Unidos, a varejista também responde a ações judiciais envolvendo alegações sobre produtos possivelmente tóxicos, privacidade de dados e publicidade feita por influenciadores sem identificação clara de conteúdo patrocinado.
Além disso, a FTC passou a registrar a Shein entre as empresas com maior volume de reclamações de consumidores, cenário que aumenta a atenção de investidores durante o processo de abertura de capital.
Ação pode atrapalhar o IPO
A divulgação da investigação acontece justamente durante a preparação da oferta pública inicial (IPO) da companhia em Hong Kong. Após tentativas de listar suas ações em Nova York e Londres, a empresa conseguiu a autorização para seguir com o IPO no mercado asiático.
Segundo estimativas do mercado financeiro, a operação pode levantar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões), mesmo que a avaliação final dependa da reação dos investidores e do andamento das investigações regulatórias.
Dessa forma, a junção entre crescimento menor, maior fiscalização das autoridades e disputas judiciais tornou o processo de abertura de capital um dos principais desafios enfrentados atualmente pela Shein.
Fonte: Times Brasil