Santista Têxtil adquire participação em parque solar da Comerc Energia e avança em estratégia de energia limpa

Acordo aprovado pelo Cade permitirá à indústria atender parte da demanda elétrica com autoprodução renovável, reforçando compromissos com sustentabilidade e redução de emissões

A Santista Têxtil, uma das maiores empresas do setor têxtil brasileiro, deu um passo estratégico rumo à transição energética ao negociar a compra de participação societária no parque solar Hélio Valgas II, de responsabilidade da Comerc Energia.

A operação, aprovada nesta segunda-feira (15/09) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), reforça o compromisso da companhia com energia limpa e autoprodução por equiparação, um modelo que garante fornecimento direto e redução de custos.

Cade aprova acordo e operação é consolidada

O contrato de compra e venda de ações foi celebrado entre as empresas em julho deste ano. O Cade analisou o acordo e concedeu aprovação sem restrições, consolidando a negociação e abrindo caminho para que a Santista Têxtil integre o projeto dentro de sua estratégia de suprimento energético.

Apesar da liberação, detalhes sobre valores envolvidos, duração do contrato e eventual necessidade de aval de outros órgãos não foram divulgados. Mesmo assim, a aprovação representa um marco relevante, especialmente em um momento de crescimento do mercado de energia solar e autoprodução industrial no país.

Segundo informações encaminhadas ao Cade, a Santista justificou que a parceria “busca suprir sua demanda por energia, mantendo o seu compromisso com a sustentabilidade, com a redução da emissão de gases de efeito estufa e com utilização de fontes renováveis para as suas unidades produtivas”.

Energia solar e autoprodução por equiparação

O modelo de autoprodução por equiparação permite que empresas adquiram participação em ativos de geração de energia, recebendo em troca o fornecimento correspondente às suas necessidades. A prática tem ganhado força no Brasil, sobretudo entre grandes indústrias, que buscam reduzir custos e minimizar a exposição à volatilidade do mercado livre de energia.

Para o setor têxtil, em particular, que enfrenta custos elevados de eletricidade, a estratégia representa uma alternativa eficiente de competitividade operacional, ao mesmo tempo em que fortalece compromissos ambientais e de governança ESG.

Comerc Energia: oportunidade estratégica

Do lado da Comerc Energia, a operação representa uma oportunidade de negócio relevante e a consolidação do Complexo Solar Hélio Valgas como um dos principais ativos de geração solar do país. O parque Hélio Valgas II está localizado em Várzea da Palma, Minas Gerais, e faz parte de um complexo com capacidade total instalada de 661,74 MWp.

A Comerc reforçou que a parceria com a Santista permite ampliar a expansão de projetos de energia limpa, além de fortalecer o posicionamento da empresa no mercado livre de energia, um segmento que cresce rapidamente e deve atingir 100% de abertura até 2028, segundo estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Sustentabilidade como vetor de competitividade

A decisão da Santista Têxtil evidencia uma tendência crescente entre grandes indústrias brasileiras: alinhar eficiência energética, redução de custos e sustentabilidade. Ao apostar na autoprodução de energia solar, a empresa garante previsibilidade no fornecimento e se posiciona de forma competitiva frente a desafios de mercado e pressões ambientais.

Especialistas apontam que a eletricidade pode representar até 40% dos custos operacionais de algumas indústrias têxteis, tornando iniciativas de autoprodução de energia limpa um diferencial estratégico e uma medida de mitigação de riscos.

Além disso, a participação em um parque solar integrado permite à Santista contribuir para a descarbonização da matriz elétrica brasileira, reforçando o compromisso da empresa com redução de emissões de gases de efeito estufa e atendendo à crescente demanda por práticas ESG.

Perspectivas e impacto para o setor

O movimento da Santista Têxtil reforça a importância da energia renovável para o setor industrial e demonstra que o modelo de autoprodução pode se tornar um padrão para empresas de grande porte. O acordo com a Comerc Energia sinaliza que os parques solares, além de gerar energia limpa, também podem ser instrumentos de competitividade, previsibilidade de custos e fortalecimento de compromissos ambientais.

Com o Hélio Valgas II, a Santista se posiciona estrategicamente para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e reforçar sua responsabilidade socioambiental, enquanto a Comerc consolida sua presença no mercado livre e em projetos de energia sustentável de grande escala.

Fonte: Cenário Energia.

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