A saída gradual da geração boomer do mercado de trabalho deve abrir uma lacuna de 4 milhões de trabalhadores por ano até 2027, reduzindo em até 10% a força de trabalho das empresas nesse período. Os dados são do relatório “Diversity, Equity, and Inclusion: 2026 trends”, da consultoria Clarkston Consulting.
Diante desse cenário, capacitar e desenvolver novas lideranças se tornou prioridade para o segundo semestre de 2026, segundo o levantamento. A movimentação já preocupa conselhos administrativos e cargos de alta gestão dentro das empresas, que precisam formar substitutos para posições estratégicas em curto espaço de tempo.
Renovação de lideranças abre espaço para avanço de diversidade
Conforme a consultora em direitos humanos Suzana Coelho, CEO do Instituto Afetto, a saída dos boomers e a consolidação da Geração Z no centro do mercado de trabalho tendem a impulsionar avanços nos indicadores de diversidade, equidade e inclusão dentro das organizações. Segundo ela, esse movimento favorece maior espaço para grupos historicamente sub-representados.
Dados da Catalyst e do Meltzer Center for Diversity, Inclusion, and Belonging, citados no levantamento, mostram que a maioria dos funcionários prefere apoiar e atuar em empresas com compromisso claro de inclusão. Suzana também lembra que a McKinsey já havia estimado, há cerca de dez anos, um potencial de US$ 28 trilhões para a economia global associado à paridade de gênero no mercado de trabalho.
Falta de preparo de lideranças é principal gargalo
Para a consultora, o desafio das empresas hoje está menos na criação de novas diretrizes de diversidade e mais na capacidade de transformar compromissos já firmados em práticas efetivas. Segundo Suzana, o estudo da Clarkston evidencia uma lacuna relevante em cargos executivos, decorrente da falta de preparação de novas lideranças para assumir essas posições.
A solução indicada pelo levantamento passa por programas de upskilling e reskilling, voltados à capacitação de profissionais para ocupar posições estratégicas. Suzana ainda destaca outras frentes prioritárias para o período, como o fortalecimento de iniciativas de cuidado e inclusão para públicos em situação de vulnerabilidade social, e o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento de indicadores sociais dentro das empresas.
Fonte: Times Brasil