Relação comercial Brasil-EUA tem pior semestre

A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu o menor patamar da série histórica para um primeiro semestre, refletindo o impacto das barreiras tarifárias impostas ao longo dos últimos meses e a perda de espaço do mercado norte-americano nas exportações nacionais. Entre janeiro e junho de 2026, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões, queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Amcham Brasil.

No período, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13%, totalizando US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, para US$ 19 bilhões. Com esse desempenho, a participação norte-americana nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual registrado desde o início da série histórica, em 1997. Na corrente de comércio total do Brasil, os Estados Unidos passaram a responder por 11,1%, também o menor nível já observado.

O cenário contrasta com a evolução das vendas brasileiras para outros mercados. No mesmo semestre, as exportações do país cresceram 11,5% para o mundo, com destaque para a China (+21,9%) e a União Europeia (+12,8%). A análise da Amcham indica que a maior parte da retração nas vendas aos Estados Unidos concentrou-se justamente nos produtos submetidos a sobretaxas, cujas exportações caíram 16,6%, enquanto os itens sem tarifas adicionais registraram redução mais moderada, de 8,7%.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o desempenho reforça a necessidade de uma solução negociada para a relação comercial entre os dois países. “O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirma.

Os maiores impactos recaíram sobre produtos industriais e de base, como semiacabados de ferro e aço, caminhões, madeira e cobre. Apesar disso, junho trouxe um sinal de recuperação: as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de queda. O avanço foi impulsionado pelos produtos não sujeitos a sobretaxas, especialmente aeronaves e óleos combustíveis de petróleo. Ainda assim, a indústria de transformação registrou perda de US$ 1,4 bilhão nas exportações para o mercado americano no acumulado do semestre, mantendo acesa a preocupação do setor produtivo com os efeitos das barreiras comerciais sobre um dos principais destinos das exportações industriais brasileiras.

Fonte: Times Brasil

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