O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou que a rede entrará em recuperação extrajudicial (RE). Conforme o fato relevante divulgado nesta terça-feira (10), serão renegociados R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais.
A decisão surge após os resultados do relatório do 4º trimestre de 2025 e de uma análise da Deloitte. Nesse sentido, no 4T25, o GPA teve:
- Prejuízos de R$ 572 milhões – 48,2% menor em comparação ao mesmo período em 2024. Anualmente, a redução foi de 65,8%.
- Receita líquida de R$ 5,11 bilhões – queda de 2% em comparação ao 4T24.
Em seguida, a auditoria da Deloitte descreveu que, em 31 de dezembro de 2025, o capital circulante líquido negativo da empresa estava em R$ 1,2 bilhão. De acordo com o documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as contas chegaram a esse nível devido a empréstimos e debêntures no valor de R$ 1,7 bilhão, com vencimentos marcados para 2026.
Dessa forma, o GPA optou por seguir como uma recuperação extrajudicial. Mas, como ficam as 700 lojas do grupo e os mais de 39 mil funcionários em meio a tudo isso?
Pão de Açúcar em recuperação extrajudicial
Segundo o Estadão/Broadcast, a prioridade de Alexandre Santoro, CEO do GPA, é reorganizar o perfil de endividamento da companhia sem afetar a operação do negócio.
Nas palavras do executivo, o conselho de administração aprovou por unanimidade o processo de recuperação extrajudicial. Agora, deve renegociar diretamente com os credores.
Nesse sentido, conforme noticiado anteriormente, a RE permite que a empresa continue operando, enquanto reorganiza dívidas financeiras. Sendo assim, “essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedor, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente”, disse Alexandre Santoro, CEO do GPA ao Estadão/Broadcast. Ou seja, segundo o CEO, a recuperação extrajudicial não deve afetar salários, aluguel ou fornecedores.
Ainda nesse contexto, o recém-chegado CFO do Pão de Açúcar, Pedro Albuquerque, reforçou que a recuperação extrajudicial do grupo não inclui passivos trabalhistas ou tributários. Na prática, essas obrigações serão resolvidas separadamente e não estão previstas na RE.
Por fim, o Grupo Pão de Açúcar terá 90 dias para continuar negociando com credores. Em paralelo, as obrigações do GPA com eles estarão suspensas.
Fonte: Times Brasil