O lecanemabe, medicamento desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, deve chegar ao mercado brasileiro em junho. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro, o remédio representa uma mudança de paradigma no tratamento do Alzheimer em estágio inicial, segundo informou o laboratório.
Até agora, os tratamentos disponíveis para a doença atuavam apenas sobre os sintomas. O lecanemabe é o primeiro a agir diretamente em uma das causas subjacentes do Alzheimer, eliminando as chamadas protofibrilas, estruturas tóxicas que se acumulam no cérebro e destroem neurônios antes mesmo de os sintomas se tornarem evidentes.
No Brasil, o preço do tratamento, sem taxas e impostos, será de R$ 8.108,94 por mês. Com a aplicação da alíquota de 18% de ICMS, praticada na maioria dos estados, o valor pode subir para R$ 11.075,62 mensais.
Alzheimer e a raiz do problema
A doença de Alzheimer progride em estágios. Nos estágios iniciais, o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide no cérebro já provoca danos aos neurônios, comprometendo a transmissão de sinais entre as células nervosas. Com o tempo, esse processo resulta no declínio cognitivo progressivo que caracteriza a doença.
O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que age especificamente sobre as protofibrilas, a forma mais tóxica da beta-amiloide, além de reduzir as placas insolúveis que se formam no cérebro. Ao diminuir essas estruturas, o medicamento retarda a progressão da doença, sem eliminar os sintomas já instalados.
🔍 Anticorpo monoclonal é um tipo de proteína produzida em laboratório que imita a ação do sistema imunológico. É projetado para reconhecer e se ligar a alvos específicos no organismo, como proteínas associadas a doenças. No caso do lecanemabe, o alvo são as protofibrilas de beta-amiloide, estruturas tóxicas ligadas ao desenvolvimento do Alzheimer.
Quem pode usar
O medicamento é indicado para pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer em estágio inicial, com presença confirmada de patologia amiloide. Há ainda uma restrição genética: o tratamento não é recomendado para pacientes com duas cópias do gene ApoE ε4, perfil associado a maior risco de efeitos colaterais graves, como inchaço e sangramento no cérebro.
🔍 ApoE ε4 é uma variante de um gene envolvido no metabolismo de gorduras no organismo. Pessoas com duas cópias desse gene têm maior predisposição ao Alzheimer e também maior risco de desenvolver efeitos colaterais graves com o lecanemabe, como inchaço e sangramentos no cérebro. Por isso, pacientes com esse perfil genético estão excluídos do tratamento aprovado.
Aprovações
O lecanemabe acumula 13 aprovações regulatórias ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Japão e, mais recentemente, todos os 27 países da União Europeia, além de Islândia, Liechtenstein e Noruega. Na UE, a aprovação veio em abril de 2025, com a Comissão Europeia descrevendo o medicamento como a primeira terapia a atuar em uma causa da doença a receber aval no bloco.
Fonte: Times Brasil