Logo após o anúncio do novo medicamento aprovado pela FDA (agência reguladora dos EUA), as ações da Novo Nordisk, deram uma salto, enquanto os papéis da Eli Lilly recuaram. “A [Novo] conseguiu a aprovação antes do que imaginávamos. As pessoas entram em pânico imediatamente e vendem Lilly. Um erro grave”, disse o investidor e analista Jim Cramer.
Jim Cramer não possui as ações em seu nome pessoal para evitar conflitos de interesse, mas o seu fundo de caridade (Charitable Trust) possui uma posição “comprada” (long) em Eli Lilly. Isso significa que o dinheiro do seu fundo está investido na empresa e ele se beneficia (para fins filantrópicos) quando as ações sobem.
Para Cramer, a queda nas ações da Lilly é exagerada, pois é apenas uma questão de tempo até que a empresa receba o aval dos reguladores americanos para seu próprio medicamento oral de perda de peso, o orforglipron. Além disso, o orforglipron possui vantagens sobre a pílula da Novo que poderiam torná-lo mais atraente para os pacientes. “Eu não gosto da Novo. Gosto da Lilly. A Lilly vai se recuperar, obviamente, porque eles têm sua própria pílula e ela será lançada em três meses”, acrescentou Jim.
A Novo planeja lançar o Wegovy oral de uso diário, conhecido como “Wegovy em pílula”, nos Estados Unidos no início de janeiro. A farmacêutica dinamarquesa informou que a dose inicial de 1,5 miligrama estará disponível em farmácias e através de certos provedores de telemedicina com ofertas de desconto por US$ 149 mensais.
O CEO da Novo, Mike Doustdar, disse em entrevista à CNBC na terça-feira (23) que espera que a versão em pílula expanda o tamanho do mercado de medicamentos para perda de peso. “Sabemos, por nossos próprios familiares e círculos de amigos, que muitos ainda não utilizam o injetável, seja por medo de agulha ou por um tabu social de que tomar uma injeção faz você se sentir doente.”
Além de atrair novos pacientes para os medicamentos GLP-1, alguns usuários podem migrar das injeções para a pílula para manter o peso perdido de forma mais conveniente, afirmou Doustdar em nota na noite de segunda-feira.
Sim, a aprovação é uma vitória muito necessária para a Novo. Mas ser a primeira a chegar ao mercado não significa que ela dominará a Lilly no longo prazo. Considere o seguinte: a Novo Nordisk venceu a Lilly no mercado de GLP-1 injetável para perda de peso com o Wegovy em 2021. Mas isso não impediu que a Lilly eventualmente assumisse a liderança nesse setor lucrativo assim que seu tratamento Zepbound foi lançado, no final de 2023.
A expectativa é que a Lilly gere cerca de US$ 17 bilhões em receita com as vendas do Zepbound em 2025, de acordo com a FactSet, em comparação com US$ 13 bilhões em receita para o Wegovy injetável.
Crucialmente, o orforglipron da Lilly terá algumas vantagens em relação à pílula do Wegovy quando finalmente chegar ao mercado. A mais notável é a ausência de restrições de comida e água. Com a pílula da Novo, os pacientes precisam estar de estômago vazio e esperar 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outro medicamento oral. Ambas as empresas indicaram que reforçaram o suprimento de seus GLP-1 orais, na esperança de evitar a escassez que outrora afetou suas versões injetáveis.
No geral, tem sido um ano excepcional para as ações da Eli Lilly após um primeiro semestre morno, e as notícias desta terça-feira não mudam esse cenário. Em novembro, a Lilly tornou-se a primeira farmacêutica a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado. As ações receberam um impulso após o presidente Trump anunciar acordos com a Lilly e a Novo para reduzir drasticamente os preços de alguns de seus medicamentos contra a obesidade, visando expandir o acesso aos tratamentos de alto custo. Apesar do desempenho tímido nesta terça, as ações da Lilly acumulam alta de 40% desde o início de 2025. Enquanto isso, as ações da Novo Nordisk caíram cerca de 40% este ano.
Fonte: Times Brasil