A prevenção aparece em apenas 11% das menções relacionadas a golpes e fraudes digitais nas redes sociais, segundo levantamento da Certta, empresa de soluções antifraude, em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.
O estudo também identificou 2,8 mil menções relacionadas à manipulação de dados pessoais entre janeiro e julho de 2026. O volume corresponde a 7,3% de um recorte de 39,7 mil menções sobre problemas cotidianos de segurança digital analisadas pelas empresas.
Entre os relatos mapeados aparecem situações envolvendo o uso de fotos, vídeos, voz e outras informações pessoais para criar identidades falsas ou se passar por pessoas reais. Segundo a Certta, ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa podem ampliar a capacidade de produzir esse tipo de conteúdo sintético.
As menções relacionadas a Pix e a transações financeiras somaram 9,1 mil no mesmo recorte, o que corresponde a 23% das 39,7 mil conversas analisadas.
“Para a sociedade, a possibilidade de alguém usar sua imagem, sua voz ou seus dados para se passar por você pode ser assustadora e aumenta a sensação de vulnerabilidade”, afirma Rodrigo Lattaro, CMO da Certta.
Fraudes de identidade avançam
O levantamento da Certta e da Nexus mede as discussões de usuários sobre segurança digital nas redes sociais e as buscas relacionadas ao tema. Outros indicadores, porém, também apontam para um aumento das tentativas de fraude de identidade no Brasil.
Dados da Serasa Experian mostram que foram registradas 1.495.696 tentativas desse tipo no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse levantamento, identidades sintéticas, que combinam informações reais e falsas para criar novos perfis, e o uso de inteligência artificial generativa aparecem entre as tendências observadas nas fraudes.
Outra pesquisa divulgada recentemente mostrou que 32% dos usuários de internet brasileiros com 16 anos ou mais relataram tentativas de golpes envolvendo seus dados pessoais, enquanto 20% afirmaram ter sido vítimas.
Deepfake aparece nas buscas
O estudo da Certta e da Nexus também analisou buscas relacionadas à segurança digital no Google e no Bing. Entre os termos identificados estavam dúvidas sobre o significado e o funcionamento de deepfakes.
No Bing, a busca “o que é deepfake resumo” registrou 3,6 mil pesquisas. No Google, apareceram consultas como “deepfake é crime”, com 210 buscas, “o que é deepfake exemplos”, também com 210, e “o que é deepfake e como funciona”, com 170.
As empresas também identificaram 3,3 mil menções relacionadas a dados pessoais e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que corresponde a 8,3% das 39,7 mil conversas sobre segurança analisadas.
Entre os temas citados está o chamado SIM Swap, golpe em que criminosos conseguem transferir o número de telefone da vítima para outro chip, o que pode permitir o acesso a contas e mecanismos de autenticação.
Para elaborar o Mapa de Confiança Digital, a Nexus analisou conteúdos publicados entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026. A coleta mais ampla reuniu mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações no Facebook, Instagram e X. O levantamento também considerou buscas no Google e no Bing, além de discussões publicadas no Reddit.
Fonte: Times Brasil