Os preços globais de fertilizantes nitrogenados recuaram nas últimas semanas, em movimento associado à perspectiva de normalização das rotas marítimas no Oriente Médio. A ureia, insumo mais utilizado entre os nitrogenados, caiu de US$ 918 para US$ 475 por tonelada desde abril, segundo a consultoria Argus.
Ainda assim, nem todos os fertilizantes seguiram a mesma trajetória. Os fosfatados permanecem em níveis elevados, pressionados pela alta sustentada no preço do enxofre.
No mercado de ureia, as cotações CFR Brasil recuaram, na sexta-feira (19), aos níveis observados antes do início do conflito. Pernías apontou oito semanas consecutivas de queda, com desvalorização acumulada superior a 40%, levando as cotações a patamares inferiores aos registrados no período anterior à crise.
Para Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, o acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã representa um fator de baixa nos preçops relevante para o setor. Segundo ele, o estreito de Ormuz funciona como rota estratégica para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, e a interrupção da navegação na região havia provocado impactos altistas expressivos nesses mercados.
Impacto para o mercado brasileiro de fertilizantes
O analista da StoneX lembrou que as importações brasileiras de nitrogenados tendem a ganhar força no segundo semestre. Por isso, avalia que o movimento baixista, somado ao avanço nas negociações geopolíticas, ocorre em um momento favorável para os importadores no Brasil.
A FAO alertou para outro efeito da crise. Segundo a organização, agricultores no Hemisfério Norte foram forçados a comprar fertilizantes durante o período de preços elevados, o que reduziu a aplicação de nutrientes nas lavouras. A entidade projeta produtividades menores na próxima colheita, com efeito sobre os preços globais de alimentos.
Fertilizantes e a normalização das rotas no Golfo
Pernías destacou que a sinalização de reabertura tende a aliviar as restrições logísticas observadas na região do Golfo, favorecendo o fluxo marítimo. Ele pontuou, porém, que persistem incertezas. Há relatos de trechos potencialmente minados, o Irã não confirmou condições claras para uma navegação sem restrições adicionais, e navios retidos na região podem enfrentar atrasos até a plena normalização das rotas.
Caso a liberação se concretize, o analista da StoneX espera que a normalização ocorra de forma gradual, contribuindo para ampliar o fluxo global de energia e fertilizantes, especialmente nitrogenados e enxofre. Ele ressaltou ainda que, mesmo com a retomada da navegação, a normalização da oferta e da logística não deve ser imediata.
A possibilidade de retirada de sanções ao Irã, segundo Pernías, reforça o potencial de aumento da disponibilidade global desses produtos ao longo do tempo, embora o cenário ainda seja marcado por elevada incerteza.
Fonte: Times Brasil