Os veículos elétricos usados ficaram mais caros nos Estados Unidos ao longo do último ano. Dados divulgados pela Cox Automotive mostram que os preços desses modelos avançaram 12% em junho na comparação com o mesmo mês de 2025.
A valorização acontece em meio ao aumento da procura por alternativas ao combustível tradicional, impulsionada pela alta da gasolina e pelas tensões envolvendo o Irã, que voltaram a pressionar o mercado internacional de petróleo.
Segundo a Cox Automotive, o aumento dos preços da gasolina fez mais consumidores buscarem veículos elétricos usados como forma de reduzir os gastos com combustível, segundo publicado anteriormente pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O movimento ganhou força durante o período de instabilidade no Oriente Médio, que elevou as preocupações sobre o comportamento das cotações do petróleo.
Enquanto os elétricos registraram valorização expressiva, os veículos movidos a combustíveis convencionais tiveram aumento bem mais modesto. Os preços desses modelos subiram apenas 1,7% na comparação anual.
No acumulado de 2026, os veículos usados já registram alta de 11,5%, alcançando preço médio de aproximadamente US$ 30,4 mil no mercado atacadista dos Estados Unidos. Já os automóveis não elétricos apresentaram crescimento inferior a 1%, com valor médio próximo de US$ 19,1 mil.
Mercado de elétricos usados mantém ritmo forte
A procura pelos elétricos usados continua em expansão. Em maio, as vendas para consumidores chegaram a 42.923 unidades, crescimento de 24,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Cox Automotive.
Os modelos da Tesla lideraram as negociações, seguidos por veículos das marcas Hyundai, Chevrolet, Ford e BMW.
A empresa destaca que os preços pagos pelos consumidores costumam acompanhar a tendência observada no mercado atacadista. Em maio, o valor médio anunciado de um veículo elétrico usado alcançou US$ 37.083.
Maior oferta dos elétricos
Apesar do momento favorável para os preços, especialistas avaliam que o segundo semestre poderá trazer mudanças ao mercado.
Isso porque milhares de veículos elétricos deverão retornar às concessionárias após o encerramento de contratos de leasing firmados há cerca de três anos, período em que as montadoras ampliaram significativamente esse tipo de financiamento.
Com mais carros disponíveis para venda, a tendência é de aumento da oferta, fator que pode limitar novas altas ou até pressionar os preços em alguns segmentos.
Valor da gasolina será decisivo
Para analistas da Cox Automotive, a evolução dos preços da gasolina será determinante para definir o comportamento do mercado nos próximos meses.
Caso o combustível continue caro, a demanda por elétricos usados pode permanecer elevada. Por outro lado, se os preços nas bombas recuarem ao mesmo tempo em que cresce a oferta de veículos devolvidos do leasing, parte desse interesse poderá diminuir.
De acordo com o Jonathan Gregory, diretor sênior da Cox Automotive, o risco para o segundo semestre é o forte aumento da oferta de veículos devolvidos ao fim do leasing, especialmente elétricos.
“A gasolina é o fator decisivo: se os preços nas bombas continuarem caindo, parte da demanda por elétricos poderá desaparecer à medida que a oferta aumentar“, afirmou Gregory.
O preço médio da gasolina nos Estados Unidos está cerca de 21% acima do registrado há um ano, atingindo aproximadamente US$ 3,80 por galão, mesmo após recuos recentes em relação aos picos registrados anteriormente.
Veículos elétricos novos
Enquanto os usados vivem um período de valorização, o mercado de veículos elétricos novos segue em direção oposta.
Diversas montadoras registraram queda nas vendas durante o segundo trimestre de 2026. Além da desaceleração da demanda, o setor também enfrenta o impacto do fim dos incentivos federais para compra de veículos elétricos, encerrados em setembro do ano passado.
A retirada do benefício reduziu o ritmo de comercialização dos modelos elétricos novos, enquanto o mercado de usados passou a atrair consumidores em busca de opções mais acessíveis para escapar dos custos elevados com combustível.
Fonte: Times Brasil