A Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou seu Plano Estratégico (PE) para o período entre 2026-2030 na noite de quinta-feira (27). Para analistas, a divulgação foi considerada positiva a neutra, porque a redução de investimentos para refletir melhor preços do petróleo já era esperada pelo mercado.
Ainda assim, às 10h45 (horário de Brasília), as ações da companhia caíam 3,19%, a R$ 33,13 (PETR3) e 2,78%, a R$ 31,50 (PETR4). O que aconteceu?
Para o Bradesco BBI, a expectativa era de feedback do mercado mais negativo porque investidores se concentrariam nos elevados investimentos de curto prazo. A mesma perspectiva estava presente em análise de Gabriel Mota de Souza, sócio da Manchester Investimentos. Ainda que tenha considerado o plano em linha com o esperado pelo mercado, Souza destaca que investimentos na Petrobras sempre podem representar riscos.
“Apesar de se esperar isso, sempre se tem um medo da Petrobras acabar investimento mais do que deveria. E se tem um investimento maior do que o que você consegue entregar no cenário de Brent mais baixo, consequentemente você tira dividendo, não tem mágica. Então, por isso que o mercado estava olhando muito para isso”, diz.
O JPMorgan afirma que uma área de preocupação no plano é a projeção do preço do Brent da Petrobras, que parece otimista em relação às expectativas atuais do mercado. A empresa utiliza US$ 70/barril para a maior parte dos anos do ciclo, um nível que pode superestimar o ambiente macroeconômico subjacente.
“No entanto, a Petrobras fornece sensibilidades claras: a cada redução de US$ 10/barril no Brent, o fluxo de caixa operacional anual diminui em cerca de US$ 5 bilhões, ajudando os investidores a avaliarem cenários de queda”, afirma.
O mesmo aspecto é destacado pela Genial, que acrescenta que as projeções otimistas se estendem para câmbio também. O relatório da corretora sobre o PE faz a mesma ressalva de que o cumprimento do previsto depende de premissas otimistas para Brent e câmbio.
Fonte: InfoMoney