A Novo apresentou nesta segunda-feira (21) uma estratégia para voltar a crescer, mas a reação do mercado foi negativa. As ações da farmacêutica dinamarquesa chegaram a cair 7% em Copenhague e recuavam 5,4% às 12h30, no horário local, mesmo após a companhia anunciar novos medicamentos, diversificação do portfólio e metas de longo prazo.
O problema, segundo analistas ouvidos pela CNBC, está menos na ausência de planos e mais no que eles podem entregar no curto prazo. A Novo tenta recuperar espaço em um mercado de medicamentos para perda de peso que se tornou mais competitivo e, ao mesmo tempo, precisa preparar o negócio para a perda de exclusividade da semaglutida.
A empresa anunciou que pretende lançar mais de cinco medicamentos com potencial de se tornarem grandes sucessos comerciais até 2030. Também espera que seu portfólio em desenvolvimento gere mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de US$ 23 bilhões (R$ 117,8 bilhões), em vendas ajustadas ao risco até 2035.
Ainda assim, a companhia projetou que o crescimento da receita entre 2026 e 2030 ficará em linha com o de seus pares, sem apresentar detalhes adicionais.
Mercado esperava uma reação mais rápida
A diferença entre o plano anunciado e as expectativas dos investidores ajuda a explicar a queda das ações.
Para Per Hansen, economista de poupança da Nordnet, havia expectativa de que a companhia apresentasse algum projeto capaz de alterar rapidamente sua trajetória. A avaliação do especialista é que esse tipo de solução não estava disponível no anúncio desta segunda-feira.
Jacob Pedersen, estrategista de investimentos do banco dinamarquês Middelfart Sparekasse, também afirmou à CNBC que as metas apresentadas não tinham o grau de ambição financeira esperado pelo mercado.
Segundo Pedersen, a indicação de que a Novo pretende crescer em ritmo semelhante ao de um grupo amplo de empresas farmacêuticas aponta para uma expansão mais moderada do que aquela que os investidores se acostumaram a esperar da companhia.
A preocupação ganha peso porque o desempenho recente já vinha pressionando os papéis. Antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira, as ações da Novo acumulavam queda de 27% em 12 meses. No mesmo período, os papéis da principal concorrente, a Eli Lilly, haviam avançado 52%.
A Lilly conquistou a maior fatia do mercado de medicamentos injetáveis da classe GLP-1 com Mounjaro e Zepbound, embora seus produtos tenham chegado depois das opções da Novo.
Semaglutida e concorrência aumentam pressão
O futuro da semaglutida é outro ponto central para os investidores. O princípio ativo está presente em medicamentos como Wegovy e Ozempic e terá algumas de suas principais patentes perdendo exclusividade no início da próxima década.
Nos Estados Unidos, a patente expira em 2032. O país representou mais da metade das vendas totais da Novo no ano passado, tornando a questão especialmente relevante para as perspectivas futuras da empresa.
Durante o Capital Markets Day, em Londres, o CEO Mike Doustdar afirmou que a companhia pretende chegar ao período posterior à perda de exclusividade maior e mais diversificada. A estratégia prevê ampliar os negócios para além de obesidade e diabetes, com investimentos em áreas como doenças hematológicas e endócrinas, doenças hepáticas e doenças cardiovasculares.
A companhia já tenta recuperar o ritmo com novos produtos. O comprimido do Wegovy começou a ser vendido nos Estados Unidos no início deste ano e chegou posteriormente a outros mercados. Apesar do desempenho considerado forte, a versão oral ainda representa uma pequena parcela das vendas da Novo.
Ao mesmo tempo, uma sequência de resultados negativos em testes clínicos e mudanças na liderança aumentou a cautela do mercado.
Em agosto, a farmacêutica afirmou esperar uma variação entre estabilidade e queda de 6% nas vendas e no lucro operacional ajustados de 2026, considerando taxas de câmbio constantes.
Fonte: Times Brasil