As ações da Honda Motor dispararam mais de 7% na última sexta-feira (15), mesmo após a montadora japonesa registrar um prejuízo operacional de US$ 2,6 bilhões no último ano fiscal.
O movimento surpreendeu o mercado e mostrou que investidores estão apostando mais na recuperação futura da empresa do que nos resultados negativos apresentados agora.
O balanço divulgado pela companhia aponta um prejuízo operacional de 414,3 bilhões de ienes no ano encerrado em março de 2026, segundo a CNBC.
No período anterior, a Honda havia registrado lucro operacional de 1,2 trilhão de ienes. O resultado negativo foi pressionado principalmente pelos altos custos ligados ao setor de veículos elétricos, pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelo aumento da concorrência chinesa no mercado automotivo.
Mercado aposta em recuperação
Apesar do prejuízo bilionário, investidores reagiram de forma positiva porque a projeção da empresa para os próximos resultados veio acima do esperado.
Analistas avaliaram que as estimativas de lucro operacional e lucro líquido divulgadas pela Honda ficaram cerca de 38% acima do consenso do mercado.
A leitura entre especialistas é que a montadora começou um processo mais agressivo de reorganização interna, principalmente no segmento de veículos elétricos, considerado hoje um dos maiores desafios da empresa.
Segundo Masahiro Akita, analista da Bernstein, o mercado entendeu que a Honda está tentando antecipar perdas e reorganizar sua estratégia antes de uma possível retomada mais forte nos próximos anos.
Corte de projetos e mudança de estratégia
Como parte dessa reestruturação, a Honda decidiu cancelar o desenvolvimento e o lançamento de alguns modelos elétricos planejados para a América do Norte. A companhia estima que apenas a reorganização dessa área deve gerar custos superiores a US$ 9 bilhões.
A montadora admitiu que o ambiente global para veículos elétricos mudou rapidamente. O crescimento acelerado das fabricantes chinesas aumentou a pressão sobre empresas tradicionais, especialmente as japonesas.
Especialistas apontam que a Honda entrou tarde na disputa global pelos carros elétricos. Mesmo sendo referência histórica em veículos híbridos, a empresa perdeu espaço no mercado chinês de novas energias, hoje dominado por marcas locais.
China e Índia viram prioridade
Diante desse cenário, a Honda começou a abandonar parte do chamado modelo global tradicional para concentrar esforços em mercados considerados estratégicos, como China e Índia.
Analistas do Citi afirmam que a empresa pretende usar sua força no segmento de motocicletas para ampliar presença entre consumidores de menor custo na Índia, um dos mercados que mais crescem no mundo.
Já o banco Nomura manteve recomendação de compra para os papéis da companhia e afirmou que o mercado já começa a precificar uma recuperação mais consistente entre 2027 e 2028.
Problemas técnicos também pressionaram a marca
Além dos desafios financeiros, a Honda enfrentou desgaste recente com recalls e problemas técnicos em motores.
Em março, motores produzidos pela empresa e utilizados pela Aston Martin foram associados a falhas em baterias. Antes disso, a montadora também enfrentou um processo no Canadá envolvendo defeitos em motores turbo de 1,5 litro usados em alguns modelos.
Mesmo assim, investidores enxergaram no novo plano estratégico uma tentativa de reposicionar a Honda diante das mudanças aceleradas do setor automotivo global.
Fonte: Times Brasil