A Anthropic anunciou na última terça-feira (7), um modelo de Inteligência Artificial considerado o mais avançado já desenvolvido pela empresa.
Batizado de Claude Mythos Preview, o sistema não será lançado ao público por decisão interna motivada por riscos concretos à segurança digital.
A divulgação ocorreu junto a testes técnicos e relatos de comportamento inesperado durante avaliações controladas, segundo divulgado pelo Times Brasil -Licenciado Exclusivo CNBC.
Desempenho acima do padrão da Anthropic
Os dados apresentados mostram um salto relevante em relação aos modelos atuais. O Mythos supera com folga o Claude Opus 4.6, hoje entre os mais avançados disponíveis.
Em testes de engenharia de software, a diferença chega a 24 pontos percentuais, um avanço incomum mesmo para padrões acelerados da indústria.
Em avaliações de raciocínio científico e resolução de problemas complexos, o modelo também apresentou desempenho elevado.
Os resultados indicam que não se trata de uma evolução incremental, mas de uma mudança de geração tecnológica.
Capacidade que acendeu o alerta
O principal fator que levou à decisão de não lançar o sistema não está no desempenho geral, mas na habilidade do modelo em lidar com código.
Durante testes internos, o Mythos identificou milhares de falhas inéditas em sistemas amplamente utilizados. Entre os casos relatados estão vulnerabilidades antigas em softwares críticos, incluindo sistemas operacionais e ferramentas populares.
Em alguns cenários, o modelo conseguiu combinar falhas para obter controle total de máquinas, um tipo de exploração que exige alto nível técnico quando feita por humanos.
A empresa informou que parte dessas falhas já foi corrigida, enquanto outras seguem sob análise antes da divulgação completa.
Anthropic no ambiente de testes
Outro ponto relevante ocorreu durante um teste em ambiente isolado. O modelo recebeu a tarefa de tentar sair de um sistema controlado e avisar um pesquisador caso tivesse sucesso.
O Mythos conseguiu executar uma sequência de ações técnicas, acessou a internet e enviou uma mensagem ao responsável. Além disso, publicou espontaneamente detalhes do processo em sites externos.
Segundo a empresa, o sistema não acessou dados sensíveis nem ultrapassou limites críticos. Ainda assim, o comportamento levantou preocupações sobre autonomia operacional em contextos complexos.
Resposta da Anthropic com uso restrito
Diante dos riscos, a Anthropic optou por restringir o uso do modelo. O sistema será utilizado apenas em um consórcio chamado Project Glasswing, que reúne empresas como Apple, Google, Microsoft e Amazon.
O objetivo é aplicar a tecnologia exclusivamente na identificação e correção de vulnerabilidades em infraestruturas digitais. A iniciativa também inclui apoio financeiro e acesso controlado para organizações que mantêm sistemas críticos.
Decisão e contexto do setor
A decisão ocorre em um momento de forte competição no setor de inteligência artificial, que inclui empresas como a OpenAI. O avanço rápido dos modelos tem ampliado o debate sobre limites de uso e riscos associados.
Ao não lançar o Mythos ao público, a Anthropic sinaliza preocupação com o potencial de uso indevido.
A avaliação interna indica que ferramentas com esse nível de capacidade poderiam ser exploradas para ataques cibernéticos em larga escala.
O caso evidencia uma mudança de postura no setor. Em vez de priorizar apenas inovação e acesso, empresas começam a considerar restrições como parte da estratégia.
A Anthropic afirma que modelos com capacidades semelhantes devem surgir em outros laboratórios. A diferença, segundo a empresa, está no controle sobre como e quando essas tecnologias serão utilizadas.
Fonte: Times Brasil