Política de preços de medicamentos de Trump deve ter impacto em até 18 meses, diz Novartis

O CEO da Novartis, Vas Narasimhan, afirmou nesta terça-feira (28) que a política de preços de medicamentos dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump cria uma “situação muito difícil” e que seus efeitos devem atingir tanto as farmacêuticas quanto os pacientes em breve.

“As implicações de longo prazo são significativas”, disse Narasimhan à Carolin Roth, da CNBC. “A realidade da MFN vai se impor nos próximos 18 meses.”

Segundo ele, a Novartis está focada em pressionar governos europeus e o Japão para que alterem rapidamente a forma como remuneram a inovação. Caso isso não ocorra, medicamentos inovadores podem ter sua entrada atrasada nesses mercados, restringindo o acesso dos pacientes aos tratamentos.

A política de preços conhecida como “nação mais favorecida” (MFN, na sigla em inglês), implementada por Trump no ano passado, vincula os preços no grande e lucrativo mercado dos EUA aos valores praticados em países de renda semelhante.

Trump tem priorizado a redução dos preços de medicamentos para os americanos e critica o que chama de “nações estrangeiras que pegam carona na inovação financiada pelos Estados Unidos”.

As declarações de Narasimhan reforçam críticas feitas por outras farmacêuticas aos mercados fragmentados da Europa, à burocracia e às políticas de preços da região.

Roche e AstraZeneca estão entre as empresas que recentemente alertaram que países europeus podem deixar de ter acesso a novos medicamentos caso não enfrentem o baixo nível de gastos com remédios e políticas consideradas desfavoráveis.

“Vamos estar em uma situação em que teremos de fazer escolhas difíceis”, disse Narasimhan, acrescentando que espera encontrar soluções alternativas para garantir que os pacientes tenham acesso a medicamentos essenciais.

O impacto da MFN sobre receita e lucro da Novartis ainda é limitado, já que atualmente afeta principalmente cerca de 5% a 10% das vendas no segmento Medicaid, segundo o executivo.

Embora haja “boas discussões iniciais” com governos europeus, ainda não há ações suficientes sendo adotadas, afirmou. “Há consciência do tema, mas ainda não vejo uma compreensão plena do tamanho do impacto que está por vir.”

No início deste mês, a Alemanha anunciou uma proposta para reduzir custos em seu sistema nacional de saúde, a fim de enfrentar um déficit de financiamento bilionário em euros, incluindo a adoção de descontos mais agressivos em medicamentos patenteados.

“Vimos movimentos recentes, por exemplo, do governo alemão, que vão na direção errada. Isso é muito preocupante”, afirmou Narasimhan.

“Esses governos terão de levar isso realmente a sério agora, porque a política [MFN] está estabelecida, e não vejo que ela vá desaparecer nos Estados Unidos.”

Resultados abaixo do esperado

A Novartis também registrou nesta terça-feira sua primeira queda nas vendas trimestrais em mais de dois anos, pressionada pela concorrência de medicamentos genéricos. As ações caíam 2,9% nas negociações da manhã em Zurique.

A farmacêutica suíça reportou vendas de US$ 13,1 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 13,5 bilhões esperados por analistas consultados pela FactSet, refletindo queda de 1% na comparação anual. Em moeda constante, a retração foi de 5%.

O lucro por ação foi de US$ 1,65, recuo de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado abaixo do esperado foi provocado pela erosão mais rápida do que o previsto causada por genéricos sobre seus medicamentos mais vendidos — Entresto, Promacta e Tasigna —, que ficaram entre 7% e 17% abaixo das estimativas, segundo analistas do Citi.

A queda nas vendas foi apenas parcialmente compensada pelo crescimento de medicamentos mais novos, como o tratamento contra câncer de mama Kisqali e o remédio para esclerose múltipla Kesimpta.

As vendas do medicamento cardíaco Entresto caíram 42% após a expiração de sua patente nos Estados Unidos. O produto também deve perder exclusividade na Europa ainda este ano.

“Nós já indicávamos que o primeiro semestre seria desafiador — sabíamos que esses genéricos estavam chegando. Trata-se, na verdade, da maior perda de exclusividade da história da Novartis”, afirmou Narasimhan.

A empresa projeta uma retomada do crescimento no segundo semestre do ano.

Fonte: Times Brasil

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