Os preços dos pneus no Brasil estão sob pressão de vários lados ao mesmo tempo. Enquanto o frete marítimo entre a Ásia e o Brasil dispara e cresce a discussão sobre elevar a tarifa de importação, os fabricantes instalados no país também enfrentam aumento de custos de produção e perda de espaço para os produtos estrangeiros.
Atualmente, a tarifa de importação para pneus de automóveis vindos de fora do Mercosul está em 25%. A indústria nacional defende que a alíquota suba para 35%, e o tema volta ao radar do governo em outubro. Até o momento, trata se apenas de uma proposta do setor, sem decisão tomada.
Ao mesmo tempo, o custo logístico das importações subiu de forma acentuada. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip), contêineres de 40 pés que custavam cerca de US$ 3 mil passaram a ser cotados entre US$ 8 mil e US$ 9,5 mil em algumas operações. A entidade relaciona o movimento a problemas nos portos asiáticos, agravados por tufões recentes.
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Frete de contêiner de 40 pés (Ásia a Brasil) | US$ 3 mil | US$ 8 mil a US$ 9,5 mil |
| Tarifa de importação de pneus fora do Mercosul | 25% | 35% (proposta) |
| Imposto sobre pneu importado de R$ 500 | R$ 125 | R$ 175 (simulação) |
A elevação da tarifa de 25% para 35% ainda é uma proposta da indústria nacional, sem decisão do governo. Fonte Abidip, ANIP, MDIC.
Pneus importados ganham espaço no mercado
Segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), as importações de pneus para automóveis, comerciais leves e veículos de carga cresceram 81,2% no primeiro semestre de 2026.
No mesmo período, as vendas de pneus fabricados no Brasil recuaram 6,8%, e a participação dos pneus nacionais no mercado de reposição caiu para 29%, ainda de acordo com a entidade.

Indústria nacional perde espaço na produção
Já entre os fabricantes locais, o cenário também é de retração. No primeiro semestre, foram vendidos 17,8 milhões de pneus produzidos no Brasil, ante 19,1 milhões no mesmo período de 2025, aponta a ANIP. A entidade destaca ainda que a queda nas vendas afeta uma cadeia que envolve fornecedores de borracha natural, aço, produtos químicos e componentes têxteis.
Diante desse quadro, a ANIP levou ao governo pedidos relacionados à elevação da tarifa de importação, fiscalização e medidas de defesa comercial. Além disso, pneus de automóveis originários da China já estão sujeitos a direito antidumping, medida distinta do imposto de importação e voltada a conter práticas de dumping, conforme registro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Tarifa e frete não se somam de forma direta
Uma eventual mudança da tarifa de 25% para 35% acrescentaria uma nova camada de custo à importação. Em simulação apresentada pela Abidip, um pneu com valor de importação de R$ 500 teria a incidência do imposto elevada de R$ 125 para R$ 175, antes de outros tributos e custos da cadeia entrarem na conta.
Para o advogado Bruno Durão, o efeito final para quem compra não é a simples soma desses aumentos. “O preço depende de toda a cadeia, incluindo custo de aquisição, transporte, tributos, estoque, margem e concorrência. Uma eventual elevação da tarifa pode encarecer a importação, mas também pode alterar a competitividade entre produtos nacionais e estrangeiros”, afirma.
O que pode acontecer com o preço dos pneus
Segundo Durão, o debate em torno da tarifa envolve mais de uma variável ao mesmo tempo. “O mercado de pneus está diante de uma combinação de fatores que merece atenção. De um lado, existe uma pressão logística muito forte sobre os produtos importados, especialmente os provenientes da Ásia; de outro, há uma discussão legítima sobre a política tarifária e a proteção da indústria nacional”, diz o advogado.
Ele ainda chama atenção para a diferença entre os instrumentos em jogo. “É importante não confundir tarifa de importação com direito antidumping ou com os custos logísticos da operação, porque são instrumentos e despesas de naturezas distintas”, conclui Durão.
A discussão sobre a tarifa de importação, prevista para outubro, deve redefinir o equilíbrio entre pneu nacional, pneu importado e preço final ao consumidor.
Fonte: Times Brasil