PF investiga Casas Bahia por possível manipulação de dados usados em bônus de gerentes

A Polícia Federal investiga se a Casas Bahia alterou dados de faturamento utilizados no cálculo de bônus e de premiações pagos a gerentes de lojas. A apuração verifica se os juros cobrados em vendas parceladas teriam sido excluídos dos relatórios internos de desempenho, o que reduziria a base considerada para a remuneração variável dos funcionários.

A investigação foi revelada nesta sexta-feira (21) pelo Metrópoles. Segundo o veículo, a suspeita é de que os sistemas internos da varejista registrassem apenas o chamado “valor à vista” dos produtos vendidos a prazo, sem incorporar os juros e encargos cobrados nas operações.

O faturamento das lojas é uma das referências usadas no sistema de metas da companhia para calcular as premiações. De acordo com a apuração, investigadores analisam se a forma de contabilização das vendas parceladas teria reduzido os valores considerados para o pagamento dos bônus.

Entre as ferramentas sob análise estão o PRWEB e o Looqbox, utilizados no acompanhamento de metas e indicadores das operações das lojas, segundo o Metrópoles.

A investigação também reúne relatos de gerentes que afirmam não ter recebido integralmente as premiações. Segundo esses relatos, ao questionarem a companhia, os funcionários teriam sido informados de que os juros cobrados nos carnês eram de instituições financeiras parceiras.

Ainda conforme o Metrópoles, a PF dispõe de ofícios do Banco Central e do Bradesco que seriam usados na apuração do funcionamento dessas operações de crédito e da participação da Casas Bahia no crediário.

A Polícia Federal também apura a eventual ocorrência de fraude ou falsificação e se a prática investigada poderia ter alcançado lojas em diferentes regiões do país, já que os mesmos sistemas internos são utilizados por unidades da companhia.

Até o momento, não há conclusão da investigação que indique a ocorrência de irregularidades.

Casas Bahia tenta renegociar R$ 17,3 bilhões

A investigação ocorre no mesmo período em que a Casas Bahia tenta reestruturar suas finanças. A companhia protocolou, em 16 de agosto, pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas.

No processo, a varejista informou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários.

Nesta semana, a Justiça do Trabalho suspendeu provisoriamente os efeitos das demissões coletivas realizadas entre 13 e 17 de agosto e determinou o restabelecimento dos vínculos dos trabalhadores atingidos. Novas demissões coletivas também ficaram condicionadas à participação prévia dos sindicatos.

A companhia também enfrenta ações de despejo e notificações relacionadas a contratos de aluguel de lojas, centros de distribuição e outros imóveis comerciais enquanto busca preservar ativos considerados necessários para manter a operação durante a recuperação judicial.

Fonte: Times Brasil

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