O preço do pãozinho deve sentir o impacto de uma safra de trigo mais fraca. A produção do cereal no Brasil deve cair próximo de 20% na temporada 2026/27, e o avanço do El Niño aumenta o risco à qualidade do grão ao longo do ciclo, segundo o Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA divulgado nesta quarta-feira (24).
Conforme o levantamento, a Conab projeta retração de 13,4% na área destinada ao plantio de trigo. Junto com uma produtividade 7,6% menor, a produção total deve cair para 6,2 milhões de toneladas.
Área plantada de trigo deve recuar 13,4%
Ainda de acordo com os dados, o plantio ocorre em um cenário de margens apertadas para os produtores. Essa condição tende a limitar a intenção de área nesta temporada, somando-se à queda projetada de produtividade. A combinação dos dois fatores explica a maior parte da retração esperada na produção total do cereal.
Custos elevados afetam decisão dos produtores
Segundo Marina Marangon, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, o aumento dos custos de produção tem levado os produtores a adotar uma postura mais cautelosa. Essa cautela limita tanto a expansão de área quanto os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção. Assim, o comportamento dos produtores se torna um componente adicional de pressão sobre os números da safra.
El Niño traz risco à qualidade na fase final
Do ponto de vista climático, a confirmação do El Niño eleva os riscos para o ciclo. Por um lado, o fenômeno pode favorecer a disponibilidade hídrica inicial no Sul do país, contribuindo para o desenvolvimento das lavouras.
🔍 El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Por outro lado, o excesso de chuvas ao longo do ciclo aumenta a pressão de doenças sobre as plantas. Esse cenário climático pode comprometer a qualidade do grão justamente na fase final, quando a colheita se aproxima.
Preços do trigo devem ficar mais firmes
No mercado, a expectativa é de preços mais firmes durante a entressafra. Essa tendência se explica pela maior dependência de importações e pela manutenção da paridade como principal referência de formação de preços.
Enquanto isso, o cenário internacional ainda bem abastecido tende a limitar altas mais expressivas no trigo. Dessa forma, os preços domésticos devem seguir sensíveis principalmente ao câmbio e à competitividade do trigo argentino.
Fonte: Times Brasil