A inadimplência está cada vez maior no agronegócio brasileiro. De acordo com dados do Serasa Experian, divulgados em janeiro de 2026, 8,3% da população rural estava inadimplente durante o terceiro trimestre de 2025 – ou seja, uma alta de 0,9 ponto percentual, em comparação ao mesmo trimestre em 2024.
Nesse sentido, considerando o segundo e terceiro trimestre do ano passado, a inadimplência desacelerou, com aumento de apenas 0,2 ponto percentual.
Mesmo assim, um levantamento da MA7 Negócios, escritório de consultoria empresarial, mostra que o agronegócio é o setor recordista em recuperações judiciais: a cada 1000 empresas ligadas à agropecuária ou produtores rurais (1,26%), cerca de 12,6 entram em recuperação judicial.
Mas, afinal, o que está por trás dos problemas financeiros do agronegócio brasileiro?
Motivos da inadimplência no agro
O setor agro enfrenta um nível elevado de estresse financeiro – mais do que o observado em outros setores. Em geral, esse cenário é fruto de elementos como:
- crédito mais caro;
- redução do apetite dos bancos por risco;
- e aumento de compromissos financeiros fixos nas operações agrícolas.
Na prática, isso se traduz em empresas do agro com margens pressionadas. Nesse contexto, estão ciclos adversos prolongados, que dificultam a capacidade de pagamento de dívidas e a continuidade do negócio.
Isso acontece porque, no agronegócio, é comum recorrer aos arrendamentos agrícolas quando se entra em fase de expansão. Esse recurso consiste em uma espécie de “aluguel de terra”, no qual se cede o uso de uma área para outra pessoa ou empresa produzir.
Entretanto, pagar esse aluguel pressiona o fluxo de caixa das empresas – principalmente quando há períodos de queda de preço ou aumento de custos, como pode acontecer diante da crise do petróleo.
Consequentemente, os arrendamentos acabam pesando nas contas.
Impacto da guerra no Irã no agronegócio
No caso do encarecimento de derivados do petróleo, como gasolina e diesel, a falta de combustível causada pela guerra no Irã já ameaça a colheita de arroz no Rio Grande do Sul.
No agro, “o aumento do petróleo pressiona praticamente toda a cadeia, desde o transporte até a energia usada na produção agrícola, o que acaba dificultando segurar preços”, completou Alex André, Head de Acesso Corporativo da MZ Group.
Ou seja, o cotidiano pode sentir um efeito em cascata. Isso porque, a partir da alta do diesel, vem a alta dos fretes. Junto a isso, afetando a gasolina, altera-se também a dinâmica com o etanol, mexendo dentro da cadeia sucroalcooleira, como detalhado anteriormente.
Ademais, de acordo com o Serasa Experian, produtores de 80 anos ou mais são os menos inadimplentes do agronegócio. Quando há dívidas, a maior parte costuma ser com instituições financeiras, enquanto apenas 0,3% são com credores do setor agro.
Fonte: Times Brasil