O desafio da previsibilidade no Brasil: um entrave que precisamos enfrentar

O Brasil convive há anos com um problema estrutural que transcende governos, ciclos eleitorais e conjunturas econômicas: a ausência de previsibilidade. Essa instabilidade — política, institucional, regulatória e fiscal — se tornou parte do cotidiano de quem empreende e investe no país. Seus efeitos são profundos, especialmente em setores de longo prazo, como o imobiliário, que dependem de planejamento, crédito e segurança jurídica para prosperar.

Nas últimas semanas, o debate sobre ambiente de negócios voltou ao centro das atenções. O que se observa é um cenário marcado por decisões sucessivas que elevam custos, ampliam carga tributária e geram incertezas sobre o futuro. Populismo fiscal, propostas desconectadas da realidade produtiva e mudanças constantes nas regras do jogo têm se acumulado, afetando diretamente a confiança de famílias e empresas. Essa combinação corrói a competitividade, dificulta a atração de investimentos e reduz a capacidade de crescimento do país.

A falta de equilíbrio entre os poderes agrava o quadro! Intervenções judiciais com efeitos retroativos, alterações repentinas em parâmetros tributários e a aprovação acelerada de medidas que impactam atividades essenciais reforçam a percepção de instabilidade. Em um ambiente assim, até mesmo iniciativas positivas, como a expansão do crédito imobiliário, modernização de processos de financiamento e o avanço de soluções tecnológicas, enfrentam barreiras para se converter em crescimento sustentável.

É por isso que defender responsabilidade fiscal, diálogo entre os poderes e segurança jurídica não é uma pauta corporativa. É uma pauta de país! O Brasil tem imenso potencial produtivo e uma capacidade notável de inovação. Mas seguimos desperdiçando oportunidades em razão da incapacidade de construir um ambiente regulatório coerente, estável e orientado ao longo prazo. Não avançaremos enquanto decisões estruturais forem pautadas por interesses imediatistas, e não por uma visão estratégica de futuro.

O setor imobiliário está preparado para contribuir com um novo ciclo de crescimento. Temos capital humano, tecnologia, escala e projetos relevantes em andamento. O que falta (e urge) é previsibilidade. Sem ela, qualquer avanço será parcial e insuficiente. Com ela, porém, abrimos espaço para investimentos mais sólidos, geração de empregos, expansão urbana qualificada e um desenvolvimento econômico que beneficie a sociedade de forma ampla.

É tempo de transformar essa agenda em prioridade. O Brasil não pode mais conviver com instabilidade permanente. Precisamos de serenidade institucional, racionalidade econômica e compromisso com a construção de um ambiente mais favorável aos investimentos. Só assim poderemos destravar o potencial que temos, que há décadas insistimos em não aproveitar.

Por Flávio Amary, presidente da FIABCI-BRASIL

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