As montadoras japonesas parecem vulneráveis aos reflexos de um possível conflito envolvendo o Irã e a qualquer reversão na trajetória do iene.
Toyota, Honda e Nissan se beneficiaram, em seus relatórios trimestrais mais recentes, de uma moeda historicamente desvalorizada; as duas primeiras elevaram suas projeções para o ano fiscal, enquanto a última registrou lucro pela primeira vez em cerca de dois anos. No entanto, fatores externos podem não ser tão favoráveis daqui para a frente.
Um iene forte forçaria as montadoras a decidir entre aumentar os preços nos mercados externos, o que poderia levar à perda de participação de mercado, ou sofrer pressão sobre o lucro operacional devido à redução do valor, em ienes, dos lucros obtidos no exterior, observou Sun.
“Uma variação de 1% na cotação do iene geralmente afeta o lucro operacional das montadoras japonesas em cerca de 2%”, disse Masahiro Akita, analista sênior da Bernstein, “embora essa sensibilidade varie conforme a empresa e possa chegar a cerca de 4% para algumas montadoras”.
Analistas também avaliam que o conflito em curso no Oriente Médio pode gerar problemas; Sun aponta para a possibilidade de mais interrupções na cadeia de suprimentos e de aumento de custos. O Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho são rotas de navegação cruciais para as montadoras japonesas, que dependem de alumínio e de produtos petroquímicos, como a nafta, na produção de veículos.
“O fator adverso mais significativo para os resultados das montadoras é a disparada nos custos de matérias-primas, situação que se intensificou em meio ao conflito no Oriente Médio”, afirmou Akita.
“A inflação de insumos fundamentais, incluindo nafta e resinas atreladas aos preços do petróleo, chips de memória e metais industriais como alumínio, cobre e aço, está exercendo um impacto negativo generalizado sobre a lucratividade do setor”, acrescentou Akita.
Fonte: Times Brasil