As montadoras estrangeiras estão finalmente alcançando suas rivais chinesas em tecnologia, em meio a uma forte queda nas vendas no maior mercado automotivo do mundo. Fabricantes dos EUA, Coreia do Sul e Alemanha aproveitaram o Salão de Pequim, iniciado nesta sexta-feira, para anunciar novas linhas de modelos voltados ao consumidor local.
Will Stacy, vice-presidente da Cadillac China (General Motors), disse à CNBC que a marca pretende “reconstruir sua presença e recuperar volume e participação de mercado”. A Cadillac apresentou seu primeiro veículo com tecnologia de assistência ao motorista na China: o SUV elétrico de três fileiras VISTIQ, com preços entre 468.000 e 508.800 yuans (US$ 68 mil). O modelo traz software avançado capaz de operar em rodovias e vias urbanas, além de estacionamento automático, desenvolvido em parceria com a startup chinesa Momenta.
A Hyundai lançou oficialmente sua marca elétrica IONIQ no país, em sua maior expansão local até agora. “A China é onde o futuro da mobilidade está sendo definido, e a Hyundai pretende ajudar a moldá-lo”, afirmou José Muñoz, CEO global da companhia. O novo IONIQ V também incorpora tecnologia de assistência ao motorista da Momenta e comandos de voz com inteligência artificial rodando em chip Qualcomm Snapdragon 8295.
Apesar da aposta, a participação da China nas vendas globais da Hyundai caiu de 17% para 4%. Em março, as vendas da marca foram apenas um terço do nível pré-pandemia de 2019. Nissan e Cadillac também registraram quedas expressivas no mesmo período.
Stephen Dyer, sócio da consultoria AlixPartners, avalia que as estrangeiras estão “humildes o suficiente para reconhecer o valor da tecnologia chinesa”, mas vê poucas chances de retomada significativa de participação. Para ele, o maior impacto será a disseminação global dessas soluções.
A Volkswagen também entrou na disputa com sua campanha mais ambiciosa na China. A empresa anunciou que, a partir do segundo semestre, seus carros terão comando de voz com inteligência artificial, em parceria com Tencent, Alibaba e Baidu. “O carro deve ser como um companheiro”, disse Thomas Ulbrich, CTO da Volkswagen China.
A montadora alemã apresentou quatro modelos em Pequim, incluindo o ID. UNYX 09, desenvolvido em apenas dois anos com a fabricante de elétricos Xpeng. A Volkswagen construiu um centro de P&D em Hefei para controlar todo o processo produtivo.
A Hyundai, junto da estatal BAIC, já comprometeu 8 bilhões de yuans em sua joint venture Beijing Hyundai, que planeja lançar 20 novos modelos nos próximos cinco anos e atingir 500 mil vendas anuais.
Enquanto isso, a líder local BYD vendeu 688.993 veículos na China nos três primeiros meses de 2026, queda de 30% sobre o mesmo período de 2025. Globalmente, a empresa entregou 2,26 milhões de carros elétricos em 2025, superando os 1,64 milhão da Tesla.
Ivan Espinosa, CEO da Nissan, destacou que a relevância das concessionárias estabelecidas e o bom relacionamento com clientes são diferenciais importantes. A marca japonesa planeja lançar cinco novos veículos elétricos plug-in nos próximos 12 meses, em parceria com a Dongfeng, e já integrou recursos da DeepSeek AI em seu sedã elétrico N7.
Fonte: Times Brasil