As vendas no setor de bares e restaurantes cresceram 1,6% em outubro, segundo dados do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone em parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
A alta de outubro veio após uma base comparativa baixa em setembro, quando as vendas cederam 4,9% em relação a agosto e 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, na base comparativa anual, vendas de outubro apresentaram queda de 1,9%.
Planejamento financeiro
Na visão de Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, a preocupação gerada pela crise do metanol fez parte dos primeiros dias de outubro, quando consumidores, sobretudo na cidade de São Paulo e em outras capitais, migraram momentaneamente para bebidas não destiladas, mas não deixaram de frequentar os bares. “Com o ambiente estabilizado, outubro inaugura um trimestre que tradicionalmente concentra consumo e gera expectativas bastante positivas para os empresários”, completou.
“O início do mês ainda foi impactado pela repercussão da ‘crise do metanol’, que inibiu o consumo e o fluxo nos estabelecimentos, especialmente na primeira semana. Conforme esse temor se dissipou a partir da segunda quinzena, o volume de vendas reagiu, fechando o mês no azul”, avaliou Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.
Para Freitas, a leitura de outubro reflete a superação gradual de um choque de confiança, mas que seguiu impactada por desafios estruturais: inflação da alimentação fora de casa e o alto endividamento do consumidor.
“Essa retomada pontual não esconde o desafio estrutural. O setor ainda esbarra no bolso do consumidor. O endividamento das famílias atingiu níveis recordes e a inflação da alimentação fora de casa segue acima de 8% em doze meses. Isso cria um teto para o crescimento, restringindo gastos não essenciais, apesar do desemprego baixo”, analisou Freitas.
Em uma ponta, o IPCA de outubro mostrou que a alimentação fora do domicílio ficou 0,46% mais cara em relação ao mês anterior, acumulando uma alta de 8,05% nos últimos 12 meses encerrados em outubro.
Na outra, os brasileiros aumentaram seu nível de endividamento em outubro, conforme dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A porcentagem de famílias com compromissos financeiros subiu para 79,5% em outubro, o maior índice desde o início da série histórica em 2010, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor).
Análise regional e anual
A parcela de famílias inadimplentes permaneceu em outubro no recorde histórico de 30,5%, já registrado em setembro. Além disso, houve um marco de 13,2% das famílias brasileiras declarando que não terão condições de quitar suas dívidas vencidas, ou seja, que continuarão inadimplentes.
Dos 24 estados contemplados pelo levantamento, apenas sete apresentaram crescimento nas vendas de bares e restaurantes em outubro, na comparação anual: Paraíba (2,9%), Sergipe (2,7%), Rio Grande do Norte (1,9%), Goiás (1,8%), Piauí (1,5%), Tocantins (0,8%) e Espírito Santo (0,2%).
Já entre os estados com desempenho negativo, as quedas foram observadas em Roraima (10,4%), Pernambuco (8,2%), Amazonas (6,5%), Maranhão (4,8%), Rio Grande do Sul (4,4%), Santa Catarina (4%), Rondônia (3,7%), Alagoas (3,4%), Bahia (3%), Mato Grosso (2,8%), Ceará (2,5%), Pará (2,4%), São Paulo (1,8%), Mato Grosso do Sul (1,5%), Minas Gerais e Rio de Janeiro (1,3%) e Paraná (0,9%).
Fonte: InfoMoney