O otimismo do mercado financeiro em relação à Meta, holding que controla o Facebook e o Instagram, cresce diante da integração da inteligência artificial ao seu modelo de negócios. É o que afirma Marcel Nobre, especialista em inovação e tecnologia, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que a empresa de Mark Zuckerberg está sendo reavaliada por investidores pelo seu vasto alcance global. “A Meta deixa de ser enxergada apenas como rede social e mais como uma infraestrutura de anúncios com IA. A vantagem mais robusta é que ela já controla um ecossistema com 3,58 bilhões de pessoas por dia, o que significa que qualquer melhoria algorítmica pode ser testada e monetizada em uma escala que poucas empresas possuem”, afirmou.
Sobre os riscos de investimentos vultosos, o especialista pontuou que os gastos bilionários são vistos como um diferencial estratégico para os próximos anos. “Só em 2025, o Capex foi de US$ 72 bilhões (R$ 359,28 bilhões) e a companhia projetou despesas de US$ 162 bilhões (R$ 808,38 bilhões) a US$ 169 bilhões (R$ 843,31 bilhões) para 2026. Como o principal negócio é publicidade digital, colocar IA para essa base de usuários faz a conta fazer sentido para o mercado”, explicou.
Nobre também analisou como a aquisição de startups de inteligência agêntica pode transformar o consumo e a forma como as empresas anunciam nas plataformas da Meta. “O jogo muda completamente quando os agentes autônomos começam a fazer as compras pelas pessoas; esse agente fará buscas por parâmetros técnicos e os anúncios terão que estar dentro dessa camada agêntica e não mais apenas na busca tradicional, mudando o modelo econômico de compra online”, detalhou.
A questão regulatória e os impactos sociais da tecnologia também foram abordados, especialmente após condenações judiciais sobre o design viciante de aplicativos. “Essas ferramentas são construídas por design para gerar desejo e nos manter na plataforma, o que gera efeitos colaterais severos. Precisamos regular e responsabilizar as partes envolvidas, pois o consumo de conteúdo rápido e raso está erodindo nossa cognição e atenção, o que exige limites claros para proteger o desenvolvimento humano”.
O especialista reforçou que a Meta investe em modelos versáteis, como o Llama, visando a onipresença da tecnologia. “A empresa investe muito em modelos que funcionam offline para embarcar em dispositivos como óculos, indo para um caminho pós-celular. O mercado está precificando essa IA como uma plataforma distribuída para quase metade da população global, o que reforça sua vantagem competitiva mesmo diante de riscos inerentes ao setor”.
Fonte: Times Brasil