As ações da Alphabet dispararam mais de 5% na quinta-feira (30), enquanto os papéis da Meta despencaram 10%, à medida que os investidores digeriam os resultados do primeiro trimestre, que incluíram planos de elevar ainda mais os investimentos em inteligência artificial.
O dia caminha para ser o pior da Meta desde outubro de 2025 e o melhor da Alphabet desde novembro de 2025.
Os movimentos divergentes das ações mostram que Wall Street não está disposta a aplaudir automaticamente a corrida de gastos em IA de todas as empresas de tecnologia.
“O mercado esteve menos alinhado sobre como interpretar os planos de investimento, com os investidores ainda tentando equilibrar o tamanho da oportunidade em IA com o volume de caixa necessário para persegui-la”, escreveu Matt Britzman, analista da Hargreaves Lansdown, em nota divulgada na quinta-feira. “Mas a principal conclusão é que esse ciclo está longe de esfriar.”
A Alphabet superou as estimativas dos analistas para a receita do primeiro trimestre, impulsionada pelo forte desempenho do Google Cloud, que registrou alta de 63% na receita em relação ao ano anterior. O CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou que o crescimento da nuvem foi impulsionado pela demanda por suas soluções corporativas de IA.
A empresa revisou sua projeção de investimentos em capital (capex) para este ano para um intervalo entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões, acima da estimativa anterior, que variava de US$ 175 bilhões a US$ 185 bilhões.
A Meta também superou as expectativas de Wall Street para lucro e receita no primeiro trimestre, embora o número de usuários ativos diários (DAP, na sigla em inglês) tenha sido impactado na comparação trimestral por “interrupções na internet no Irã”.
A companhia elevou seu plano de capex para o ano para uma faixa entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, ante o intervalo anterior de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões. Segundo a empresa, a mudança “reflete nossas expectativas de preços mais altos de componentes neste ano e, em menor medida, custos adicionais com data centers para sustentar a capacidade dos próximos anos”.
Em teleconferência com investidores, Pichai afirmou que a Alphabet tem observado uma demanda “tremenda” por suas ferramentas de IA e por seus chips personalizados. Segundo ele, a IA está “impulsionando todas as áreas do negócio”.
Executivos da Meta procuraram justificar os elevados gastos com IA, afirmando que são necessários para “atender às nossas necessidades de infraestrutura” e capturar crescimento futuro, além de fortalecer o negócio principal de publicidade online.
Diferentemente da Alphabet, da Microsoft e da Amazon, que possuem grandes operações de infraestrutura em nuvem capazes de transformar investimentos em IA em receita, a Meta não conta com uma oferta semelhante, o que torna mais difícil comprovar que conseguirá gerar retorno.
A Microsoft elevou sua projeção de investimentos em capital para US$ 190 bilhões em todo o ano de 2026, sendo que US$ 25 bilhões desse valor refletem preços mais altos de componentes. A Amazon manteve seu orçamento de capex previamente anunciado para o ano, que deve alcançar US$ 200 bilhões — mais do que qualquer uma de suas concorrentes de tecnologia de grande porte.
As preocupações em torno dos gastos da Meta com IA levaram analistas do JPMorgan a rebaixar a recomendação das ações na quinta-feira, de overweight (acima da média do mercado) para neutra.
A Meta enfrenta um “caminho desafiador” para gerar retorno sobre sua elevada projeção de capex, especialmente enquanto as chamadas hyperscalers continuam a “se beneficiar de integrações profundas com stacks tecnológicos corporativos, fornecimento de chips e diversidade de modelos”, escreveram os analistas.
“De forma geral, buscamos maior clareza sobre o caminho para retorno dos investimentos em IA além do negócio principal de publicidade e acreditamos que desenvolver, iterar, escalar e monetizar novos produtos e experiências levará tempo”, afirmaram os analistas do JPMorgan.
Fonte: Times Brasil