A Meta quer levar a inteligência artificial para uma etapa de compra entre os usuários. A empresa apresentou o Muse, um agente que promete entender preferências, buscar produtos e conduzir boa parte do processo até a finalização do pedido.
A proposta coloca a companhia em uma disputa com Amazon, Google, Walmart, Disney, Uber e OpenAI. Ao mesmo tempo, aumenta o debate sobre privacidade, confiança e até perda de controle sobre os próprios gastos.
Utilização do Muse
O novo agente de inteligência artificial da Meta promete ir além de sugerir itens. O Muse poderá usar informações sobre a atividade do usuário para entender gostos, procurar produtos e avançar até o checkout, segundo a Fortune.
A ferramenta também poderá usar o serviço Link, da Stripe, para preparar o pagamento depois de mostrar o valor final ao consumidor. O lançamento começa de forma gratuita para adultos nos Estados Unidos.
Meta quer usar histórico
A grande vantagem da empresa está na quantidade de dados que ela já possui sobre seus usuários. O Muse poderá considerar conteúdos que o usuário assiste, salva, segue e compartilha para montar recomendações.
A Meta afirma que o sistema também consegue guardar informações mencionadas pelo usuário e usar esse contexto na sequência. De forma simples, quanto mais o agente souber sobre o usuário, maior tende a ser a capacidade de sugerir produtos.
Privacidade vira principal risco
Para melhorar o funcionamento, o Muse precisa acessar informações que são consideradas pessoais. A Meta afirma que o usuário poderá escolher quais aplicativos conectar, retirar permissões e impedir o uso das interações para treinar modelos de inteligência artificial.
A empresa também diz que não compartilhará conversas e dados do Muse com seus sistemas de publicidade. Mesmo assim, o histórico de críticas à Meta aumenta a pressão. Em 2019, a companhia recebeu uma multa recorde de US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões) por questões relacionadas à privacidade.
Consumidores evitam enviar dados
Dados levantados mostram que muitos usuários aceitam o auxílio da I.A., mas preferem evitar o envio de dados pessoais. Uma pesquisa aponta que apenas 31% dos entrevistados deixariam um agente de I.A. fazer compras em seu lugar.
Além disso, 72% disseram que não compartilhariam dados de cartão de crédito, enquanto 46% evitariam liberar o histórico de navegação. Só 24% afirmaram confiar em recomendações e resumos feitos por chatbots.
Meta encontra concorrência
Apesar de utilizar a nova ferramenta como um atrativo, a Meta deve encontrar uma forte concorrência. Amazon, Disney e Uber já lançaram ou testam ferramentas de compras com inteligência artificial.
Além disso, a Mastercard estima que, até 2030, um em cada dez consumidores poderá usar agentes pessoais de I.A. para comprar produtos ou serviços.
Disputa por tecnologia
O sucesso dos agentes de inteligência artificial pode depender menos do sucesso da ferramenta e mais dos limites do usuário. Dessa forma, as empresas devem encontrar desafios para entender como o usuário irá aceitar ajuda para comparar preços, organizar listas e reduzir tarefas repetitivas.
Dessa forma, a nova ferramenta de inteligência artificial da Meta ainda esbarra na questão de privacidade e acesso a dados pessoais. Ainda assim, o avanço da I.A. coloca os chatbots cada vez mais perto das ações feitas por usuários.
Fonte: Times Brasil