O presidente-executivo da Mercedes-Benz, Ola Kaellenius, afirmou que não descarta a entrada da montadora alemã no setor de defesa. “O mundo se tornou mais imprevisível, e acho bastante claro que a Europa precisa fortalecer suas capacidades de defesa”, disse Kaellenius em entrevista ao Wall Street Journal publicada na sexta-feira (16). “Se formos capazes de desempenhar um papel positivo nessa área, estaríamos prontos para isso.”
As declarações ocorrem em um momento em que a Alemanha amplia sua capacidade militar em resposta à invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Rheinmetall cresce enquanto montadoras enfrentam crise
A indústria de defesa alemã tem aproveitado o aumento dos gastos militares europeus. A fabricante de armas Rheinmetall é o exemplo mais evidente dessa tendência, com expansão recente para os segmentos naval e de drones.
As montadoras alemãs, por outro lado, atravessam momento adverso. Mercedes-Benz e Volkswagen enfrentam uma combinação de tarifas comerciais e concorrência intensa de fabricantes chineses, que pressionam margens e volumes de vendas.
🔍 Rheinmetall é uma das maiores fabricantes de armamentos da Europa, com sede em Düsseldorf, na Alemanha. Produz desde munições e veículos blindados até sistemas antiaéreos. Com o aumento dos gastos militares europeus após a invasão da Ucrânia, a empresa se tornou uma das ações de melhor desempenho no continente nos últimos anos.
Volkswagen também mira o setor militar
A Mercedes-Benz não é a única montadora alemã a olhar para a defesa. Em março, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou estar “em contato” com empresas de defesa, em especial as envolvidas em sistemas de defesa antimíssil, para converter uma fábrica alemã à produção de equipamentos de transporte militar.
Segundo o Financial Times, há negociações em andamento com a Rafael Advanced Defense Systems, empresa israelense responsável pelo projeto do Iron Dome.
🔍 Iron Dome é o sistema israelense de defesa antimíssil desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems. Projetado para interceptar e destruir foguetes e projéteis de curto alcance, tornou-se referência mundial em tecnologia de defesa aérea.
Mercedes já atua no segmento, diz porta-voz
Procurada pela agência AFP para comentar as declarações de Kaellenius, uma porta-voz da Mercedes-Benz afirmou que a empresa “há muitos anos fornece chassis a firmas especializadas, que os equipam e comercializam sob sua própria responsabilidade e marca para aplicações militares.”
“Nossas atividades no setor de segurança e defesa constituem um foco de desenvolvimento que continuaremos a perseguir ativamente, em colaboração com nossos parceiros”, acrescentou a porta-voz.
Na entrevista ao Wall Street Journal, Kaellenius não detalhou que tipo de produtos a Mercedes-Benz poderia fabricar para o setor. Ele previu que o segmento de defesa representaria apenas uma “parte menor das operações da Mercedes-Benz” em comparação com a produção de automóveis e vans, mas destacou que a área pode ser “um nicho de crescimento rápido que também pode contribuir para os resultados financeiros do grupo.”
Fonte: Times Brasil