Marca da Tesla despenca 36% em 2025 e perde US$ 15,4 bilhões

O valor da marca Tesla caiu US$ 15,4 bilhões, ou cerca de 36%, em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de queda, segundo a consultoria Brand Finance.

A falta de novos modelos inovadores e os preços relativamente elevados dos veículos elétricos da empresa em comparação com concorrentes ajudaram a corroer a força da marca, afirmou o CEO da Brand Finance, David Haigh. Segundo ele, também pesaram a crescente incursão do CEO Elon Musk em temas geopolíticos e a menor atenção ao negócio automotivo.

Com isso, o valor da marca Tesla é agora estimado em US$ 27,61 bilhões no ranking de 2026 da Brand Finance – abaixo dos US$ 43 bilhões no início de 2025, dos US$ 58,3 bilhões em 2024 e do pico de US$ 66,2 bilhões registrado em janeiro de 2023.

Sediada em Londres, a Brand Finance avalia milhares de companhias a partir de dados financeiros – como receitas, acordos de licenciamento e margens – e combina essas informações com pesquisas amplas junto a consumidores para estimar monetariamente o valor das marcas.

Indicadores como reputação, recomendação, confiança e percepção de “modernidade” da Tesla despencaram ao longo do último ano, especialmente na Europa e no Canadá, segundo Lorenzo Coruzzi, diretor de valuation da consultoria.

Nos Estados Unidos, a nota de recomendação da montadora caiu para 4,0 em uma escala de 10 – sinal de que consumidores relutam em indicar a marca a amigos e familiares. Em 2023, esse indicador havia alcançado 8,2.

Ao menos mil pessoas em 18 países responderam às pesquisas sobre a Tesla.

Apesar disso, o grau de familiaridade do público com a marca aumentou na maioria dos mercados, reflexo da expansão geográfica da empresa e do fato de ela já não ser mais vista como uma startup.

Nos EUA, o índice de fidelidade subiu de 90% para 92% em 2025, indicando que proprietários de veículos Tesla pretendem continuar usando a marca no curto prazo.

Enquanto isso, a chinesa BYD foi o grande destaque do setor automotivo, com avanço de cerca de 23% no valor de sua marca – o equivalente a US$ 17,29 bilhões -, contra US$ 14,03 bilhões no ano anterior.

Cinco fabricantes superaram a Tesla no ranking deste ano, incluindo Toyota, Mercedes-Benz, Volkswagen e Porsche. A Toyota lidera o setor, com valor estimado em US$ 62,7 bilhões.

A forte queda no valor da marca da Tesla reforça, mais uma vez, a diferença entre a percepção dos consumidores e a visão de Wall Street sobre a companhia.

Em 2025, as ações da Tesla tiveram um ano volátil. O papel começou em alta após Musk assumir um cargo no governo do então presidente Donald Trump, à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado para reduzir gastos federais.

Mas a atuação política do executivo, declarações incendiárias e apoios a figuras da extrema-direita – como o partido alemão AfD e o ativista britânico Tommy Robinson – provocaram reação negativa entre consumidores ao longo do ano.

Outro desafio foi o fim de créditos fiscais federais para a compra de veículos elétricos nos Estados Unidos.

Na segunda metade do ano, porém, os papéis se recuperaram após o lançamento do aplicativo de transporte por demanda da Tesla e o início de testes do serviço de Robotáxi em Austin, no Texas. Musk também ajudou a sustentar a cotação ao comprar cerca de US$ 1 bilhão em ações da empresa em setembro.

Ao fim de 2025, a Tesla acumulava alta de cerca de 11%, atingindo novos recordes em dezembro após notícias de que a companhia testava sistemas de direção automatizada em Austin sem passageiros a bordo.

A montadora divulgará seus resultados do quarto trimestre e os planos para o próximo ano em teleconferência nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado. A empresa já informou que houve queda nas entregas no trimestre e no acumulado do ano.

Investidores podem enviar perguntas para a administração por meio da plataforma Say Technologies.

Uma das questões mais votadas antes da teleconferência envolve a possibilidade de acionistas da Tesla terem acesso preferencial para investir na SpaceX, empresa aeroespacial de Musk que planeja abrir capital ainda neste ano.

Uma subsidiária da SpaceX, o serviço de internet via satélite Starlink, entrou pela primeira vez no ranking das 500 marcas mais valiosas da Brand Finance em 2026, com valor estimado em US$ 5,19 bilhões.

David Haigh afirmou que é improvável que a valorização da Starlink impulsione a Tesla.

“Elas são tratadas de forma totalmente separada”, explicou.

Embora Musk comande tanto a SpaceX quanto a Tesla, a montadora é comparada a outras fabricantes de automóveis, enquanto a Starlink é avaliada frente a provedores de internet.

“A Starlink tem uma proposta única por enquanto”, disse Haigh, “embora haja várias outras empresas planejando lançar constelações de satélites para competir.”

Fonte: Times Brasil

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