O PicPay mais que dobrou o lucro no segundo trimestre de 2026, apoiado pelo avanço das receitas, pela expansão da carteira de crédito e por ganhos de eficiência operacional. O banco digital registrou lucro ajustado de R$ 283 milhões entre abril e junho, crescimento de 135% na comparação anual.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado ficou em 20,2%, mesmo nível registrado um ano antes e acima dos 15,5% do primeiro trimestre de 2026. A receita líquida, por sua vez, avançou 67% em um ano, para R$ 4,1 bilhões.
Crédito dobra em um ano
A base de clientes do PicPay cresceu 10% e superou 70,4 milhões. Já o lucro bruto atingiu R$ 1,2 bilhão, avanço anual de 48% e ligeiramente acima da projeção de R$ 1,15 bilhão para o período.
A margem financeira (NII) alcançou R$ 2 bilhões no trimestre, crescimento de 65% na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, o banco digital mantém o “avanço em eficiência operacional”, ao mesmo tempo em que diversifica suas receitas e expande as operações de crédito.
A carteira de crédito chegou a R$ 31,9 bilhões ao fim de junho, o dobro do registrado um ano antes. No consignado privado, o PicPay alcançou 3,6 milhões de contratos desde o lançamento da modalidade pelo governo.
Os empréstimos garantidos ou parcialmente garantidos, incluindo consignado público e privado e antecipação do FGTS, correspondiam a 55% da carteira. Do crescimento registrado no crédito, 86% veio dessas modalidades com garantias e dos cartões de clientes com relacionamento mais consolidado na plataforma.
Inadimplência longa chega a 9,8%
A expansão do crédito veio acompanhada de aumento da inadimplência nos atrasos mais longos. A taxa para operações vencidas há mais de 90 dias avançou de 4,1% no segundo trimestre de 2025 para 9,8% ao final de junho deste ano.
O indicador também ficou acima dos 8,9% registrados no primeiro trimestre de 2026. Em sentido contrário, a inadimplência de curto prazo, que considera atrasos entre 15 e 90 dias, recuou de 8,4% em março para 7,5% em junho, embora ainda tenha permanecido acima dos 7% observados um ano antes.
O novo diretor financeiro do PicPay, André Cazotto, afirmou que a elevação da inadimplência de longo prazo reflete o “amadurecimento natural” da carteira e não indica deterioração da qualidade das novas concessões.
Segundo Cazotto, como parte desse processo de maturação, a inadimplência acima de 90 dias ainda pode registrar uma nova alta.
PicPay prevê carteira de crédito maior
Para o terceiro trimestre de 2026, o PicPay espera manter o crescimento da carteira de crédito e projeta receitas próximas de R$ 4 bilhões, além de um custo de risco entre 3,9% e 4,1%.
No segundo trimestre, o custo de risco ficou em 3,9%, mesmo diante do aumento das concessões e de um ambiente macroeconômico considerado mais desafiador, segundo Cazotto.
Desenrola movimenta R$ 520 milhões
O PicPay também renegociou R$ 520 milhões em dívidas por meio do Desenrola, programa do governo voltado à renegociação de débitos.
Segundo o diretor financeiro, o desconto médio foi de 50%, com impacto de 5% no custo de crédito, indicador que considera as despesas com provisões para inadimplência descontadas das recuperações.
Já o volume total de pagamentos (TPV) processado pelo PicPay somou R$ 142,6 bilhões ao final de junho, expansão de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo maior uso do Pix e dos cartões da fintech.
Fonte: Times Brasil