A Pandora registrou lucro líquido de 875 milhões de coroas dinamarquesas no segundo trimestre, alta de cerca de 9% em relação aos DKK 803 milhões de um ano antes. A receita avançou cerca de 2%, para DKK 7,219 bilhões, enquanto a companhia manteve o plano de reduzir a dependência da prata, metal que representou cerca de 30% do custo dos produtos vendidos em 2025.
Esse movimento ganha relevância após a forte valorização da prata nos últimos anos. Quando a Pandora definiu suas metas financeiras de longo prazo, em 2023, trabalhava com uma referência próxima de US$ 24 por onça. O metal chegou a superar US$ 120 em janeiro deste ano e era negociado pouco abaixo de US$ 65 nesta quinta-feira (13), segundo a CNBC.
Com a pressão dos metais preciosos, o setor de joias também tem revisto materiais e revestimentos para preservar preços e margens. Entre as alternativas citadas no mercado está o vermeil, técnica que utiliza prata 925 como base para peças revestidas de ouro. No caso da Pandora, a resposta tem seguido outra direção: a substituição de parte das peças confeccionadas em prata por joias revestidas de platina.
Mesmo com a queda recente do preço, a presidente-executiva da Pandora, Berta de Pablos-Barbier, afirmou, em entrevista ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, que a companhia pretende continuar diversificando os materiais utilizados nas peças.
“Estamos diversificando nosso portfólio de materiais. O objetivo é tornar a Pandora mais flexível e oferecer diferentes materiais aos consumidores”, disse.
Historicamente, a prata tem sido a principal exposição da Pandora entre os metais preciosos. Segundo a companhia, uma parcela relevante das joias deverá deixar de ser confeccionada em prata e passar a utilizar revestimento de platina nos próximos anos. A expectativa é compensar parte da pressão provocada pelas commodities e sustentar a rentabilidade no longo prazo.
Pandora testa peças com revestimento de platina
Na Holanda, a companhia iniciou um projeto-piloto para testar a aceitação das novas peças. Segundo a Pandora, a resposta inicial dos consumidores foi considerada encorajadora e o projeto avança conforme o planejado.
Depois do piloto, a próxima etapa será ampliar os testes antes de uma expansão mais abrangente da estratégia.
Isso não significa substituir a prata por peças inteiramente feitas de platina. A companhia trabalha com produtos platinum-plated, isto é, joias com revestimento de platina.
No curto prazo, porém, a transição terá impacto sobre os resultados. A Pandora estima custos extraordinários equivalentes a entre 0,5 e 1 ponto percentual da margem EBIT em 2026.
Proteção reduz impacto da prata
Além da mudança na composição das peças, a Pandora utiliza contratos de hedge para mitigar os efeitos das oscilações dos preços dos metais sobre seus custos.
Ao fim do segundo trimestre, a companhia havia protegido aproximadamente 75% das compras esperadas de prata e 70% das de ouro para os 12 meses seguintes. Como há uma defasagem de cinco a dez meses entre a compra dos metais e o momento em que esses valores são reconhecidos no custo dos produtos vendidos, a empresa calcula que praticamente toda a exposição de 2026 às variações de prata e ouro já esteja protegida.
Para 2027, a Pandora estima que entre 90% e 100% da exposição à prata que chegará ao custo das vendas estará protegida a cerca de US$ 65 por onça. O valor equivale a cerca de 2,7 vezes os US$ 24 por onça utilizados como referência pela companhia em 2023.
Para a platina, a empresa também prevê iniciar operações de hedge no terceiro trimestre deste ano.
Commodities pesam sobre margem
Nos resultados e nas projeções, as commodities já pressionam as margens da Pandora, embora a companhia não detalhe em que medida o impacto recente veio exclusivamente da prata.
No segundo trimestre, commodities, câmbio e tarifas retiraram, em conjunto, cerca de 3 pontos percentuais da margem EBIT. O efeito foi parcialmente compensado por uma devolução extraordinária relacionada a tarifas nos Estados Unidos, que acrescentou aproximadamente 2,5 pontos percentuais à margem.
Sem esse ganho extraordinário, a própria Pandora afirma que a margem operacional teria ficado praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025.
Na projeção para o ano, a companhia reduziu a cerca de 190 pontos-base a pressão esperada de fatores externos sobre a margem, ante estimativa anterior de 200 a 250 pontos-base. Segundo a apresentação de resultados, a revisão refletiu principalmente os preços da prata.
Expansão da rede sustenta crescimento
O crescimento orgânico da Pandora foi de 3% no segundo trimestre, enquanto as vendas comparáveis, conhecidas pela sigla LFL, avançaram 1%. A expansão da rede acrescentou aproximadamente 4 pontos percentuais ao crescimento da receita, indicando maior contribuição das novas unidades do que das lojas comparáveis.
O lucro operacional passou de DKK 1,287 bilhão para DKK 1,463 bilhão, avanço de quase 14%. A margem EBIT chegou a 20,3%, ante 18,2% um ano antes, enquanto a margem bruta avançou de 79,3% para 80,5%. Parte da melhora, porém, foi explicada pela devolução extraordinária de tarifas nos Estados Unidos.
Pandora eleva projeções para 2026
Após os resultados, a companhia elevou suas estimativas para o ano.
Para 2026, a Pandora passou a projetar crescimento orgânico entre zero e 3%, ante uma faixa anterior de queda de 1% a crescimento de 2%.
Para a margem EBIT, a previsão também foi elevada, de 21% a 22% para 22% a 23%. A revisão inclui aproximadamente 1 ponto percentual de efeito positivo relacionado à devolução extraordinária das tarifas americanas.
Além da mudança de materiais e dos contratos de hedge, a Pandora pretende sustentar a rentabilidade com ganhos de eficiência, redução de custos, ajustes seletivos de preços e expansão da rede.
No mercado, as ações da Pandora subiam cerca de 4% em Copenhague nesta quinta-feira após a divulgação dos resultados. Segundo a CNBC, os papéis acumulavam alta de aproximadamente 55% nos últimos três meses, movimento que analistas do Citi atribuíram ao recuo recente dos preços da prata.
Fonte: Times Brasil