O lucro líquido caiu 44% no primeiro semestre de 2026 na comparação com igual período do ano anterior, informou a Ericsson nesta terça-feira (14). O resultado da fabricante de equipamentos de telecomunicações, sediada na Suécia, somou 4,963 bilhões de coroas suecas, cerca de 446 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões), pressionado por encargos de reestruturação e pela queda nas receitas de licenciamento de patentes.
As vendas líquidas do semestre recuaram 8% na mesma base de comparação, para 102,022 bilhões de coroas (R$ 53,9 bilhões). A companhia atribuiu parte da queda ao efeito cambial negativo e à retração nas receitas de licenciamento, que haviam sido impulsionadas em 2025 por um acordo pontual de disputa de patentes.
Lucro semestral recua com peso da reestruturação
O resultado operacional (EBIT) somou 7,362 bilhões de coroas no semestre, queda de 40% ante o ano anterior. Segundo a Ericsson, os encargos de reestruturação do período chegaram a 4,4 bilhões de coroas, praticamente cinco vezes o valor registrado no mesmo intervalo de 2025.
🔍 EBIT Sigla em inglês para lucro antes de juros e impostos. Mostra o resultado das operações da empresa sem descontar despesas financeiras nem tributos.
No segundo trimestre isolado, a receita líquida somou 52,7 bilhões de coroas, queda de 6% ante o mesmo período de 2025. A margem bruta ajustada, que exclui encargos de reestruturação, subiu para 48,4%, ante 48% um ano antes.
Ericsson aposta em inteligência artificial em meio à pressão de custos
Em comunicado, o presidente executivo Börje Ekholm afirmou que a companhia reforçou o portfólio de produtos nos últimos anos para capturar a próxima etapa de conectividade impulsionada por inteligência artificial. Segundo ele, a Ericsson passa a atuar em áreas de crescimento fora do núcleo tradicional de redes móveis.
Ekholm também alertou para o aumento no custo de componentes, atribuído em parte à demanda gerada pela própria expansão da inteligência artificial. Segundo o executivo, a companhia tomou medidas no trimestre para reduzir esse impacto e prevê continuar com ajustes internos e mudanças de preços nos próximos trimestres.
Fluxo de caixa livre cai no trimestre
O fluxo de caixa livre antes de fusões e aquisições somou 400 milhões de coroas no segundo trimestre, queda de 85% ante igual período de 2025. A Ericsson atribuiu a redução ao aumento de estoques, em preparação para entregas previstas no terceiro trimestre.
Mesmo com a retração trimestral, o indicador acumulado do semestre cresceu na comparação anual, para 6,3 bilhões de coroas, resultado de uma geração de caixa mais forte no primeiro trimestre.
Troca de comando movimenta a empresa
Em 16 de junho, a Ericsson anunciou que Börje Ekholm deixará o cargo de CEO em 30 de setembro. Per Narvinger assume a presidência executiva e Ekholm segue como conselheiro até junho de 2027, conforme os termos do contrato de trabalho vigente.
Ericsson mantém retorno a acionistas
Apesar da queda no lucro, a companhia distribuiu 8,2 bilhões de coroas a acionistas no segundo trimestre, entre dividendos e recompra de ações. O valor inclui 3,2 bilhões de coroas em recompras realizadas no período.
A posição de caixa líquido encerrou o semestre em 59,8 bilhões de coroas, ante 36 bilhões de coroas no mesmo período de 2025.
Fonte: Times Brasil