O leilão de concessão dos aeroportos regionais da Bahia, com destaque para o terminal de Porto Seguro, representa uma nova etapa da infraestrutura aeroportuária brasileira e pode servir de modelo para futuras concessões regionais no País. A avaliação é de Augusto Dal Pozzo, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, que vê o processo baiano como símbolo da transformação dos aeroportos regionais em ativos estratégicos para turismo, logística e desenvolvimento econômico. “A gente está numa terceira fase, que é justamente a fase dos aeroportos regionais”, afirmou.
Durante participação nesta terça-feira (19) no jornal Pré-Market, ele disse que as concessões aeroportuárias no Brasil passaram inicialmente por aeroportos isolados de grande porte, como Guarulhos e Viracopos, avançaram depois para blocos de terminais e agora chegam a uma etapa focada nos aeroportos regionais. Para ele, o modelo ganha relevância diante da dimensão territorial do País e da necessidade de ampliar integração logística e desenvolvimento local. “O desenvolvimento regional depende de um ecossistema de transporte e logística que muitas vezes depende realmente de um aeroporto de qualidade”, destacou.
Porto Seguro em destaque
Ao comentar o caso de Porto Seguro, Dal Pozzo afirmou que o aeroporto baiano simboliza a importância crescente dos terminais regionais ligados diretamente ao turismo. Segundo ele, o fortalecimento da rede hoteleira e o aumento do fluxo de visitantes exigem uma infraestrutura aeroportuária mais moderna e eficiente. “Porto Seguro é uma instância turística super importante não só no Brasil, mas também fora do Brasil”, ressaltou.
Na avaliação do especialista, os aeroportos deixaram de funcionar apenas como pontos de embarque e desembarque e passaram a atuar como plataformas de desenvolvimento econômico regional. “O aeroporto não é mais uma porta de embarque. O aeroporto é uma plataforma econômica”, afirmou.
Dal Pozzo destacou ainda que o impacto econômico desses projetos envolve toda a cadeia instalada no entorno dos terminais, incluindo lojas, locadoras, estacionamentos e prestadores de serviços. Segundo ele, o avanço das concessões regionais fortalece não apenas o turismo, mas toda a atividade econômica conectada aos aeroportos.
Segurança jurídica e interesse privado
Para o especialista, a consolidação desse novo ciclo de concessões dependerá diretamente da capacidade do governo de estruturar contratos sólidos e atrativos para o mercado. Segundo ele, os investidores buscam previsibilidade regulatória e mecanismos que garantam retorno financeiro adequado aos aportes realizados. “Quanto maior a maturidade regulatória e contratual, maior será o interesse privado”, pontuou.
Dal Pozzo afirmou que há forte interesse de operadores estrangeiros nos projetos aeroportuários brasileiros, inclusive nos blocos regionais. “Há muitos operadores internacionais trabalhando aqui no Brasil e outros interessados também nos blocos regionais”, disse.
Segundo ele, a demanda projetada para os aeroportos segue como um dos principais fatores analisados pelos investidores antes da participação nos leilões. “Precisa haver uma correlação entre o volume de investimentos e a demanda esperada”, explicou.
Expansão regional
Na avaliação de Dal Pozzo, o modelo adotado no leilão da Bahia pode acelerar novas concessões aeroportuárias regionais, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior necessidade de integração logística. “Se você promover um modelo adequado, como está acontecendo em Porto Seguro, existe espaço para uma nova onda de concessões regionais”, afirmou.
O especialista ressaltou que, em muitos casos, a própria presença do aeroporto acaba criando demanda econômica e turística nas regiões atendidas. “Às vezes a presença do aeroporto gera demanda por voos e também fomenta a economia”, concluiu.
Fonte: Times Brasil