O Brasil pode inaugurar uma nova etapa na infraestrutura energética com os primeiros leilões de armazenamento de energia em baterias da história do país. A avaliação é do advogado especialista em infraestrutura e notável do canal Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Augusto Dal Pozzo. De acordo com o especialista, a questão das baterias nunca foi almejada no Brasil, especialmente por uma questão estratégica.
Segundo Dal Pozzo, o armazenamento de energia enfrenta desafios regulatórios no Brasil, uma vez que as baterias não se encaixavam nas categorias tradicionais do setor elétrico. “A energia é dividida em três campos: a geração, a transmissão e a distribuição. As baterias não se encaixavam nessas categorias tradicionais do setor elétrico. Por quê? Porque ela hora consome energia e ela também injeta energia quando ela descarrega”, explicou.
Para isso, foi necessário criar uma nova regulamentação para permitir a realização dos leilões, após debates envolvendo o mercado e a sociedade civil. Para ele, a medida abre espaço para investimentos nacionais e estrangeiros em uma área considerada estratégica.
Armazenamento como peça-chave da transição energética
O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, mas enfrenta o desafio de equilibrar a oferta de energia em momentos de maior demanda. Para Dal Pozzo, as baterias funcionam como uma solução para isso. “O Brasil está nessa agenda. Acho que o Brasil, até pelos nossos recursos naturais, sem dúvida alguma, está liderando esse processo de transição energética”, disse.
Ele ressaltou que a infraestrutura de armazenamento vai além das próprias baterias, envolvendo equipamentos, operação, manutenção e uma cadeia produtiva ligada a minerais estratégicos, como o lítio: “Não se trata simplesmente da bateria, mas tem interconectores, tem uma série de material elétrico fundamental e a operação e a manutenção também dessas baterias”, explicou.
Minerais críticos e oportunidade industrial
O avanço do setor também aumenta a importância dos minerais utilizados na fabricação das baterias. Dal Pozzo destacou que o Brasil possui reservas relevantes de minerais críticos e defendeu que o país deve aproveitar essa posição para desenvolver uma cadeia industrial própria.
Para o advogado, o desafio é transformar os recursos naturais em desenvolvimento tecnológico e econômico. “Não adianta a gente não ter inteligência, só ter recursos minerais, ter commodities. A gente precisa fazer com que essa regulação da exploração desses minérios possa não só alimentar o mundo, mas alimentar o Brasil.”
Primeiro passo para um sistema mais eficiente
Apesar de ser considerado um avanço, Dal Pozzo avalia que os leilões não resolverão todos os problemas do setor elétrico imediatamente. Segundo ele, o processo deve ser visto como um teste inicial para aprimorar a regulamentação e ampliar os investimentos.
“Esse leilão vai servir como um grande teste. Ele não vai resolver o problema, mas o que se espera é que esse movimento demonstre para a indústria, para as pessoas que investem nesse segmento, que o Brasil está preocupado com esse tema”, afirmou.
Na avaliação de Dal Pozzo, o sucesso dos primeiros projetos será importante para criar maturidade regulatória e abrir caminho para novas iniciativas. “O Brasil vai promovendo, a cada camada, a cada estruturação de projetos, um desenvolvimento de uma maturidade maior, seja dos contratos, seja da sua regulação. E aqui não vai ser diferente”, termina.
Os leilões
Os leilões, previstos para dezembro, foram estruturados pelo Ministério de Minas e Energia e têm como objetivo contratar projetos de armazenamento de energia por baterias. Os vencedores terão contratos de 15 anos, com início do fornecimento previsto para 2028.
Fonte: Times Brasil