Jato chinês C919 realiza primeiro voo internacional e desafia a hegemonia de Boeing e Airbus

O avanço da chinesa COMAC ainda não representa uma ameaça imediata para Boeing ou Airbus, mas o desenvolvimento do jato C929 pode mudar a competição no mercado global de aviação caso a empresa consiga dominar tecnologias próprias e ampliar sua capacidade de produção. A avaliação é de José Antônio Brazileiro, empresário e especialista em viagens e aviação, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Brazileiro, o C919, atual principal aposta comercial da fabricante chinesa, disputa uma faixa de mercado semelhante à do Airbus A320, com aeronaves de corredor único. O modelo já começou a operar em rotas internacionais, mas ainda enfrenta obstáculos para ganhar espaço fora da Ásia.

Para o especialista, a principal barreira é a combinação entre certificação internacional, capacidade de produção e dependência de tecnologia estrangeira, especialmente no desenvolvimento dos motores. “Por isso que eu acredito que é mais um projeto de força geopolítica da indústria chinesa do que uma ameaça imediata”, afirmou.

O C919 utiliza o motor CFM LEAP-1C, tecnologia da mesma família utilizada em outros aviões comerciais de grande presença global.

Essa dependência é considerada estratégica para a China, que busca ampliar a autonomia de sua indústria aeronáutica. O desenvolvimento de um motor próprio é uma das frentes associadas aos planos de longo prazo da COMAC.

C929 pode elevar a disputa

Caso a China consiga avançar com o C929, o modelo poderá disputar espaço com aeronaves de maior porte fabricadas por Boeing e Airbus. “Se eles conseguirem produzir esse C929, aí muda um pouco o cenário”, disse Brasileiro.

Na avaliação do especialista, a ambição chinesa é desenvolver uma aeronave cada vez mais independente de fornecedores estrangeiros, incluindo motor e componentes próprios. “O jogo pode virar porque a ideia deles é produzir um motor próprio, peças próprias e um avião totalmente chinês”, afirmou.

O desafio, porém, é transformar o projeto em uma operação industrial capaz de competir em escala global. Segundo Brasileiro, a COMAC ainda não possui capacidade de produção comparável à de Boeing e Airbus.

A companhia chinesa entregou o primeiro C919 à China Eastern Airlines em 2022. Até o fim de julho, segundo dado citado na entrevista, 41 aeronaves do modelo haviam sido entregues a companhias aéreas e outros operadores.

Apesar do avanço da COMAC, o especialista avalia que o C919 está em uma categoria mais próxima dos aviões de corredor único da Airbus e da Boeing.

Segundo Brazileiro, essa diferença de posicionamento reduz, no curto prazo, a sobreposição direta entre as empresas.

Para ele, o desenvolvimento da indústria aeronáutica chinesa deve ser acompanhado não apenas pelo potencial comercial, mas também pela dimensão estratégica. A busca por uma cadeia produtiva própria permitiria à China reduzir sua dependência de tecnologias ocidentais consideradas críticas.

Fonte: Times Brasil

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