O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 10,4% superior ao do mesmo período do ano anterior. O desempenho veio acompanhado de inadimplência estável, queda nas despesas e índice de eficiência no melhor nível recente do banco no Brasil, segundo balanço divulgado na tarde desta terça-feira (5).
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o lucro apresentou recuo de 0,3%, influenciado pela distribuição antecipada de dividendos realizada ao final do ano passado. Excluindo esse efeito, o resultado recorrente gerencial seria de R$ 12,7 bilhões.
Inadimplência controlada e carteira em expansão
O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL90) ficou em 1,9% ao final de março, estável tanto em relação a dezembro de 2025 quanto ao mesmo período de 2025. A inadimplência entre 15 e 90 dias também se manteve em 1,7%, dentro dos parâmetros históricos do banco.
A carteira de crédito total atingiu R$ 1.483 bilhões, alta de 9% em 12 meses excluindo variação cambial. No Brasil, o saldo chegou a R$ 1.237 bilhões, com avanço de 7,8% na base anual. O crédito imobiliário liderou o crescimento entre pessoas físicas, com alta de 11,2% em 12 meses, enquanto o consignado privado avançou 63% no mesmo período.
O custo do crédito somou R$ 10 bilhões no trimestre, avanço de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, ritmo abaixo do crescimento da carteira, o que indica melhora na relação entre expansão de crédito e risco.
As despesas não decorrentes de juros recuaram 5% em relação ao quarto trimestre de 2025, para R$ 16,2 bilhões. No Brasil, a queda foi de 5,6% no mesmo intervalo. A redução foi disseminada entre as linhas comercial e administrativa, transacionais e tecnologia.
O índice de eficiência do Brasil atingiu 34,9% no primeiro trimestre, o melhor da série histórica recente, ante 36,4% no quarto trimestre de 2025. No consolidado, o indicador ficou em 37,1%. Desde 2018, o banco reduziu em 44% o custo de transações únicas e ampliou em 2.813% o volume de implantações tecnológicas, segundo dados da apresentação institucional.
Rentabilidade e guidance mantidos
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente consolidado chegou a 24,8% no trimestre, avanço de 2,3 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2025. No Brasil, o indicador ficou em 26,4%. A margem financeira com clientes somou R$ 31,5 bilhões, alta de 4,5% em 12 meses.
Projeções para 2026 inalteradas
O banco manteve inalterado o guidance para 2026. A projeção prevê crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5%, expansão da margem financeira com clientes entre 5% e 9% e crescimento das receitas de serviços e resultado de seguros no mesmo intervalo. As despesas não decorrentes de juros devem avançar entre 1,5% e 5,5%, abaixo do ritmo de crescimento de receitas.
O custo do crédito está projetado entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões para o ano, com alíquota efetiva de imposto de renda e contribuição social entre 29,5% e 32,5%.
🔍 ROE, sigla em inglês para Retorno sobre o Patrimônio Líquido, mede quanto um banco lucra em relação ao capital próprio investido. Quanto maior o índice, mais eficiente é a geração de lucro para os acionistas. Um ROE de 24,8% significa que, para cada R$ 100 de patrimônio, o Itaú gerou R$ 24,80 de lucro no período.
🔍 O que é índice de eficiência Índice de eficiência mede quanto um banco gasta para gerar cada real de receita. Quanto menor, melhor. Um índice de 34,9% significa que o Itaú gastou R$ 34,90 para gerar R$ 100 de receita no Brasil, resultado abaixo da média histórica do próprio banco e do setor.
Fonte: Times Brasil