Os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial (IA) realizados pelos grandes provedores globais de computação em nuvem podem superar US$ 1,3 trilhão até 2027. A projeção é da S&P Global Ratings e aponta para um ciclo de expansão que deve pressionar a geração de caixa das empresas e tornar mais complexas as estruturas usadas para financiar a expansão.
Segundo a agência, Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta, Oracle e SpaceX devem apresentar fluxo de caixa operacional livre negativo em 2026 e 2027. A expectativa é de recuperação somente a partir de 2029, após um período de forte aumento dos gastos relacionados à expansão da capacidade computacional.
Financiamento ganha complexidade
Para bancar os investimentos, as empresas têm ampliado o uso de diferentes fontes e estruturas de financiamento, incluindo emissão de dívida e ações, contratos de arrendamento e garantias. A S&P também aponta maior participação de joint ventures e veículos de propósito específico nas operações.
Esse movimento pode dificultar a avaliação da situação financeira das companhias, especialmente quando compromissos contratuais e outras obrigações apresentam características semelhantes às de dívida. A agência também cita as chamadas garantias de valor residual entre os mecanismos que exigem maior atenção na análise de crédito.
Monetização da IA é principal ponto de atenção
Entre os fatores de risco, a S&P destaca a velocidade com que os investimentos em IA serão convertidos em receitas, a persistência da demanda por capacidade computacional e a possibilidade de formação de excesso de oferta.
As condições de financiamento também permanecem no radar, diante do volume de recursos necessários para acompanhar a expansão da infraestrutura. O resultado dependerá, em parte, da capacidade das empresas de transformar o aumento da capacidade instalada em receitas suficientes para sustentar os desembolsos.
Mudança de trajetória a partir de 2028
A S&P estima que 2028 poderá marcar uma mudança no ciclo de investimentos. A expectativa é de aceleração das receitas associadas à IA ao mesmo tempo em que o crescimento dos gastos de capital perde ritmo.
Com uma monetização maior dos serviços e aplicações de inteligência artificial, a agência projeta melhora gradual da geração de caixa. Ainda assim, a recuperação financeira completa das empresas analisadas é esperada apenas a partir de 2029.
Fonte: Times Brasil