A Neoenergia informou que recebeu de sua controladora, a Iberdrola Energia, o protocolo de registro de uma oferta pública de aquisição (OPA) destinada a comprar todas as ações ordinárias em circulação e retirar a empresa do segmento Novo Mercado da B3.
A operação marca um novo movimento de reorganização societária ao mesmo tempo em que a companhia avança em sua estratégia de rotação de ativos.
Iberdrola quer fechar capital da Neoenergia
A Iberdrola protocolou na CVM um pedido de registro de OPA para adquirir todas as ações ordinárias em circulação da companhia. O objetivo é migrar o registro de emissora da categoria A para a categoria B, além de retirar a Neoenergia do segmento Novo Mercado da B3, o mais rigoroso em governança corporativa.
O preço oferecido é de R$ 32,50 por ação, valor que será atualizado pela taxa Selic a partir de 31 de outubro de 2025 — mesma data em que a espanhola fechou acordo com a Previ para adquirir uma fatia de 30,29% da elétrica.
O montante é considerado “justo” pela CVM, o que dispensa automaticamente a elaboração de laudo de avaliação, conforme prevê a Resolução 215. A Iberdrola afirma que a operação busca simplificar a estrutura societária, reduzir custos regulatórios e dar mais flexibilidade operacional à empresa.
Com o protocolo da oferta, começa a contar o prazo de 15 dias para que acionistas representando ao menos 10% das ações em circulação possam solicitar reavaliação do preço ao regulador.
Neoenergia vende a UHE Dardanelos para a EDF e mantém 25% indiretos
No mesmo dia da OPA, a Neoenergia comunicou a assinatura do Contrato de Compra e Venda com a EDF Brasil Hidro Participações para a alienação da totalidade das ações da Energética Águas da Pedra (EAPSA), operadora da Usina Hidrelétrica Dardanelos, no Mato Grosso, com 261 MW de capacidade instalada.
A transação envolve um Enterprise Value de R$ 2,515 bilhões, considerando:
- R$ 2,229 bilhões referentes ao valor-base de dezembro de 2024, incluindo R$ 67 milhões de earn-out;
- R$ 286 milhões de correção pela variação do CDI até a data da assinatura.
O valor será atualizado até o fechamento e poderá incluir ajustes usuais de operações desse tipo.
Paralelamente, a Neoenergia celebrou com a EDF Brasil Holding um Acordo de Investimento para realizar um aporte de R$ 93,5 milhões na Hidro Participações, passando a deter 25% do capital da holding proprietária do ativo. A EDF ficará com os 75% restantes, após aportar R$ 280,5 milhões. O restante do pagamento será financiado.
Com isso, embora venda 100% da EAPSA, a Neoenergia permanece com 25% do ativo de forma indireta, mantendo exposição à geração hidrelétrica sem deter o controle.
O acordo também prevê que, em até 2,5 anos, tanto a EDF quanto a Neoenergia poderão exercer opções de compra ou venda da participação restante, possibilitando a saída total da brasileira ou a aquisição integral pela EDF.
Operação reforça estratégia de rotação de ativos
Segundo a Neoenergia, a transação com a EDF está alinhada à estratégia de otimização do portfólio, preservando retorno e disciplina de capital. A conclusão depende de aprovações do CADE, da Aneel, de autoridades concorrenciais internacionais e dos agentes financiadores.
Fonte: Times Brasil